
Era uma vez… por volta de 6 milhoes de anos atras, ocorreu uma mutacao significativa na familia dos primatas; mutacao que iria dar origem a uma nova especie. Mutacoes como essa ocorrem de tempos em tempos desde a origem da vida, e sao responsaveis pela diversidade das especies no planeta. Nao se sabe qual dos dois grupos que resultou dessa mutacao; o que se sabe eh que a partir dai dois grupos distintos, o que gerou os chipanzes e o que gerou os humanoides, passaram a coexistir. Mutacoes menores continuaram a ocorrer gerando subspecies, a maioria extinta hoje, e por fim chegamos ao ser humano de um lado, e aos chipanzes e bonobos de outro. Esse animal humano, porem, iria transformar o mundo.
Em algum momento nos ultimos um milhao de anos, de maneira gradual, mas acelerada, o humanoide percebeu a sua existencia! E descobriu o medo e a angustia de deixar de existir.
A percepcao da propria existencia amplificou ao extremo a prioridade com si proprio em relacao ao ambiente exterior. Dai em diante tudo passou a ser dividido em duas partes bem distintas. A maior parte de tudo eh o “eu”, a individualidade e tudo o que diz respeito a propria pessoa; a outra parte, muito menor e de pouca importancia sao os outros (animais e plantas), o planeta e todo o universo. Tudo a volta passou a ser secundario pois tudo eh visto e sentido de dentro do seu corpo, para fora, pelos seus sentidos. O humanoide passou a achar que ele estava preso dentro do seu corpo e cercado pelos outros e pelo proprio universo. Ele passou a ter a sensacao do “eu”. Agora era o “eu” versus o resto.

Com o passar do tempo, o humanoide se transformou em humano e com a complexidade de seu cerebro a sensacao do “eu” ganhou um novo nome: “alma” – ou outros nomes com o mesmo significado. Recusando-se a admitir que essa alma – o proprio “eu”- poderia morrer, o humano criou as religioes que apesar de nunca provarem nada pelo menos criam a ilusao de que a alma vai para algum lugar depois da morte e assim criaram deuses e definiram as regras em como apaziguar esses deuses para que nao atrapalhem a jornada da alma para um lugar melhor. Essa preocupacao eh tao grande que impede a maioria das pessoas em enfrentar a realidade do que se sabe atualmente acerca da vida e da morte. Melhor o conforto em acreditar que o Papai Noel trara o presente no natal do que o incomodo e despeza de ter de ir a uma loja comprar o presente.
Nao eh minha intencao aqui criticar religioes e pessoas, apenas confirmar um fato e abordar o que se sabe hoje.
O que eh a alma?
O estudo do cerebro humano tem descoberto coisas fascinantes, principalmente na area do comportamento emocional, intuicao e pensamento abstrato. Chega-se a conclusao de que a sensacao do “eu” eh uma das criacoes do cerebro, de certa forma ligado ao principio da auto preservacao. Lamentavelmente para os que alimentam a esperanca de continuar vivendo depois da morte, o “eu”, ou alma ira ter o mesmo destino que o cerebro quando morrer. Confesso que eh uma conclusao dificil de aceitar, entao tudo o que somos e conseguimos adquirir ao longo da vida estara perdido? Voltaremos a situacao do antes de nascer, a nao existencia? Nosso cerebro recusa-se a admitir isso e simplesmente descarta a realidade desgradavel; no intimo mantem uma esperanca de que afinal Papai Noel chegara no ultimo instante.
Para que vivemos, qual o sentido da vida? A vida nao tem sentido para os individuos; ela significa sim uma continuidade para os genes. A vida tem sentido para os genes e como sabemos eles continuam existindo, sendo mantidos assim pelas diversas especies deste planeta cuja funcao eh se reproduzirem. Os individuos sao os veiculos e sao descartados. Isso nao tira a grande importancia dos veiculos pois sem eles a vida ja teria se extinguido no planeta, porem apresenta uma perspectiva inteiramente diferente da relatividade das coisas. Ate final do seculo 19 os humanos viam a si proprios como o centro do universo, tudo tendo sido criado em funcao deles. Eh um choque quando somos colocados frente a frente a nossa verdadeira perspectiva.
Conclusao: a alma eh uma criacao do cerebro e ela existe enquanto o cerebro esta funcionando… Como disse Rene Descartes: Cogito ergo sum; penso, logo existo! (mas ao deixar de pensar, deixarei de existir…).
Como sera a sensacao da nao existencia? Certamente nenhuma! Alguem se lembra como era antes de existir? (Nao vale recorrer ao espiritismo ou outras crencas similares)
Entao o que acontece quando morremos? Vou abordar o que ocorre conforme o que a ciencia ja descobriu e comprovou ate o momento no proximo post. No que se refere a crencas e ideias impossiveis de serem comprovadas, isso deixo a criterio de cada um.



