Thursday, August 12, 2010

REGIÃO DAS SOMBRAS



Tem horas que o noticiario nos deixa paralizados de horror e indignacao ao expor o que acontece no mundo. O ser humano com sua inteligencia e raciocinio superior consegue ser muito pior que qualquer animal irracional. Ate onde podem chegar a crueldade e a estupidez humana? Ate quando se permitirao certas coisas no mundo?

Na minha juventude eu assistia a um programa que, em portugues comecava com um refrao: "Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação”.
Era o programa “Além da Imaginação”, Twilight Zone em Ingles, melhor traduzido como zona do crepusculo. Nesse programa assistia-se a historias fora do normal, muito interessantes, onde o impossivel acontecia e fatos inusitados eram possiveis. Estamos no inicio de um novo seculo, mas as mulheres em sua maioria continuam vivendo em um mundo a parte, na regiao das sombras, alem da imaginacao.

Revista Time, Agosto, 9, 2010: Aisha, a menina que foi entregue ao seu torturador com 16 anos (na regiao isso chama-se marido), agora ja com 18, aparece com o nariz e orelhas cortadas. Como ela vivia torturada e ameacada de morte pelos seus sogros e marido, nao aguentou e fugiu de casa. Por causa disso a levaram perante o juiz no Afeganistao que a condenou. O marido e o genro entao a levaram para as motanhas onde, com uma faca, cortaram as orelhas e depois o nariz; com a dor ela desmaiou, acordando mais tarde banhada em sangue e abandonada para morrer. O que aguarda as mulheres nos paises onde o islã faz as leis? Nada mais do que ser um objeto a ser usado, desprezado, maltratado e depois descartado. Uma coisa chamada mulher onde sua palavra nao vale nada e sua unica utilidade eh ter filhos homens e ser um corpo para os homens se masturbarem. Um absurdo; um crime em nome de Allah que continua impune.

O que significa um estupro para as mulheres? Algo horrivel, nao? Imaginem a cena: um homem asqueroso agarra voce, mela o seu rosto com sua boca fetida, morde seus seios que comecam a sangrar, puxa seu vestido com forca, arranca sua calcinha e voce sente sua vagina sendo rasgada com violencia. Sequelas? Sim, para o resto da vida! Mas tem algo muito pior…

O que a revista Times publicou nao acontece com frequencia pois as mulheres nesses lugares vivem em panico e se sujeitam a tudo para evitar punicoes como essa. Estupros acontecem com mais frequencia em todo o mundo, mas o que vou descrever acontece com quase todas as muculmanas e nao apenas nos paises do islã, mas em outros onde essas infelizes moram, como a Holanda, a Inglaterra e, por que nao, no Brasil? Voces conhecem alguma muculmana? Leiam o livro “Infiel” de Ayaan Hirsi Ali.

Para as mulheres que estiverem lendo sugiro que fechem os olhos, voltem no tempo e se lembrem de sua primeira menstruacao. Voce estava naquele estagio de final de infancia entre as bonecas e os romances de amor. Seu sexo comecava a despontar com os primeiros sinais de um prazer que viria, com o tempo, ao atingir a adolescencia. Voce era inocente e feliz. Voce se sentia amada e amparada pelos seus familiares. Agora pense que voce nasceu numa familia muculmana.

Um dia, logo apos sua primeira menstruacao, voce viu seus familiares reunidos e sem saber o que estava acontecendo, sentiu-se agarrada e arrastada ate a cozinha. Maos fortes seguraram seus bracos e pernas. Voce gritou de susto e apreensao. Seu vestido de crianca foi levantado e sua calcinha arrancada por maos brutais. Voce se debateu mas mesmo assim suas pernas foram abertas e seu sexo nu ficou exposto para todos verem. Voce estava paralizada de vergonha e seu coracao batia forte com medo. Voce chorava e pedia para que a largassem e a deixassem ir embora; voce nao sabia o que estava acontecendo.

De repente voce viu uma faca na mao de alguem e ela comecou a se esfregar em sua vagina, comecando a fatiar o pequeno labio no lado esquerdo. O sangue esguichou. Uma dor lancinante tomou conta do seu corpo infantil e seus gritos desesperados encheram a cozinha. A faca continuou cortando e como o seu corpo pulava e se contorcia, por diversas vezes a faca acabou cortando demais e espetando onde nao devia, mas quem se importava? A seguir comecou a cortar o grande labio. Voce queria morrer, nao estava aguentando tanta dor. Seu corpo prensado na mesa dura da cozinha estava machucando suas costas e coxas. O sangue jorrava, seu coracao parecia saltar de seu peito; dor, pavor e medo se misturavam. De vez em quando um pano era esfregado com brutalidade em sua ferida para absorver o sangue e isso causava mais dor ainda. Agora a faca comecou a cortar o pequeno labio do lado direito. Mais dores horriveis e prolongadas dominaram o seu corpo. Voce gritava a plenos pulmoes, queria desmaiar e nao conseguia. A adrenalina, resultado de tanta dor, a mantinha acordada. A faca estava agora cortando o grande labio.

Banhada em sangue, suor e lagrimas, sem acreditar no que estava acontecendo voce ainda pode ver alguem segurando uma tesoura. Lentamente seu clitoris foi cortado. Uma dor lancinante e totalmente insuportavel fez voce gritar como nunca havia feito em sua vida. Com certeza era a morte vindo buscar o seu corpo de crianca. A tortura nao parou ai. De repente sentiu espetarem profundamente algo no lado do que sobrou de sua vagina. Era uma agulha de costurar saco de lona que penetrava e logo espetava do outro lado ao sair. Voce estava sendo costurada com um barbante fino. Outra espetada e mais dor profunda à volta de sua ferida. Mais pontos, mais dor; aquilo nao tinha fim. Sua cabeca girava, a dor era total e tomava conta do seu corpo. Voce nao entendia porque os seus familiares antes tao amorosos agora a estavam maltratando dessa maneira. O que voce tinha feito para merecer esse castigo? Voce nao sabia, mas estava sendo mutilada e condenada ao sofrimento para o resto da vida!

Voce perdeu a conta de quantas vezes foi espetada, ate que a tortura parou e voce foi largada com as pernas amarradas para ver se sobreviveria à mutilacao. Nos dias que se seguiram a dor foi intensa, acompanhada de queimacao cada vez que urinava. Se voce tivesse sorte morreria de infeccao, mas voce teve azar e sobrevivieu. Aquela vagina que quando voce descobriu parecia ser uma fonte de prazer passou a ser um pesadelo para o resto da vida. A costura impedia uma higiene adequada e assim voce estava sempre com infeccao vaginal, candida e todo o tipo de bacterias e parasitas de dificil cura. Por fim sua adolescencia chegou e voce foi entregue a um novo dono. Era o seu casamento.

À noite seu dono quiz se masturbar pela primeira vez no que restou de sua vagina. Voce se lembrou da tortura de sua infancia e se preparou para o pior, mas nao podia prever o que iria sentir. Seu dono nao usou uma faca, assim o processo de estupro foi feito por meio de força de maneira a rasgar a antiga ferida. Novamente o sangue comecou a correr das suas carnes em pedacos; voce quase desmaiou de dor, caindo em estupor, porem ainda teve tempo de ver o sorriso de satisfacao no rosto do seu dono. Ele seria parabenizado por ter estuprado uma virgem. Voce passou o dia deitada tentando se recuperar; à noite o sangue coagulado havia formado uma casca e a ferida havia comecado a cicatrizar, porem o seu dono queria se masturbar novamente, assim a ferida voltou a ser arrombada, o sangue escorreu e voce mergulhou na dor insuportavel. Por dias e meses sua rotina de ter a ferida rasgada com corrimento de sangue continuou, com alternancia de infeccoes e pus ate que seu corpo se adaptou à tortura e cicatrizou onde foi possivel.

Os filhos vieram e com eles a faca para abrir passagem seguida da agulha espetando e costurando para ficar nova para o seu dono. Voce continuou rezando a Allah para que seu dono encontrasse uma outra ou que seu corpo ficasse feio e asqueroso para que ele nao a quisesse mais e sua tortura noturna tivesse um fim…

Impressionante como nao se denuncia essa barbaridade com a frequencia que o assunto merece. Por acaso a religiao que permite e promove a tortura nas mulheres merece algum respeito? Estou cansado de ler em jornais, revistas e ver nos noticiarios que eh preciso respeitar essas culturas. Respeitar? Leiam novamente os paragrafos acima e me digam se concordam! Quando que uma revista ira publicar em sua capa a foto de uma vagina infantil dilacerada pela mutilacao? Quando veremos as fotos dessa tortura passo a passo com a descricao crua de como eh feita? Nao pensem que eu nao estou revoltado com o que fizeram com a pobre Aisha, nao eh isso; o fato eh que eh muito mais do que isso. Podemos ver o nariz e orelhas mutiladas, mas nao vemos as vaginas transformadas em feridas escondidas por debaixo das roupas da maioria das muculmanas.

Como as mulheres sao tratadas em outras culturas? No Brasil, um pais de tradicoes cristas a violencia acima nao acontece, apenas outro tipo de violencia; para ve-la basta levantarmos a mascara. Muito ja foi feito em prol das mulheres, porem ha ainda muito por fazer. Existem leis contra o abuso das mulheres, mas para o caso ir parar numa delegacia eh preciso ter ossos quebrados, carne rasgada e o fato ter se repetido muitas vezes. A condenacao da justica quase sempre limita-se a autorizar a separacao com a mulher indo lamber suas feridas sozinha onde conseguir ficar. Maus tratos psicologicos e fisicos de “pouca gravidade” sao mais comuns do que se pensa e sao aceitos sem constrangimentos. A sociedade machista aceita o homem que lava a honra matando a adultera como um atenuante pois afinal ela criou os motivos. O que nao se aceita eh que uma mulher lave a sua honra. O cristianismo considera o sexo com prazer um pecado; foi um erro do criador que precisa ser corrigido. O homem ao cometer o pecado nao tem culpa pois eh claro a culpa eh sempre da mulher que o tentou e por isso ela merece ser castigada e colocada em segundo plano. A mulher ideal eh a virgem ou aquela que faz sexo sem prazer so para ter filhos. Um rapaz evangelico do meu conhecimento tem problemas constantes com sua esposa por que ele insiste em que a biblia diz que a mulher tem que ser submissa ao homem…

Como se sentem as mulheres em pleno seculo XXI num mundo onde na maioria dos lugares elas ainda ocupam o segundo plano, sao discriminadas, maltratadas e ate mortas por motivos futeis? Porque nao ha mais reacao nos orgaos de divulgacao para colocar um fim nessa tradicao maldita?
Como homem nao aceito maustratos nas mulheres, muito menos as considero inferiores, mas fico pasmo de constatar que muitos acham esse desvio de comportamento aceitavel e ate normal.

O que fazer?
Todos os homens que de uma forma ou de outra abusam das mulheres ja foram criancas inocentes. Como foi permitido que tenham tido suas mentes estupradas com essas ideias que mais tarde os levaram a esse tipo de comportamento?

Todos voces homens e mulheres que tem filhos, netos, parentes em qualquer grau ainda criancas e em formacao, precisam tomar medidas preventivas para prepararem essas criancas a reagir contra essas influencias do meio que vao pressiona-las ao crescer. Assim como as prevenimos contra as drogas e outros maleficios tambem temos que ensinar aos meninos a considerar a mulheres como iguais em dignidade e as meninas a nao se sentirem inferiores e reagirem ao abuso. Eh necessario preparar as novas geracoes para construirem um mundo melhor e ensina-las a serem intolerantes às praticas abusivas ainda existentes em nosso meio.

Sunday, July 11, 2010

Aventuras na terra do Cebolinha

Oi, pessoal, eu estarei viajando a partir do dia 13 de julho voltando três de Agosto e não sei se poderei acessar ao blog nesse período. Nesse meio tempo vou deixar aqui uma historinha real de minhas viagens para vocês se divertirem:

Outubro 1998

De tanto viajar ao exterior, de vez em quando se chega a algum lugar exótico. Desta vez superou minhas aventuras no Oriente Médio; é que eu estive em Bangkok na Tailândia.

A chegada é em um aeroporto normal como todos os outros, porém recheado de funcionários sorridentes e felizes com a chegada de mais Dólares ao país. Porém, isso é tudo o que o viajante terá de familiar, pois daí em diante estará realmente no exterior; algo como nas luas de Marte ou em algum povoado em outro planeta. Tudo é diferente e muitas vezes exatamente ao contrário das nossas coisas. Os carros andam no lado errado da rua (como na Inglaterra), o que faz com que atravessar seja um grande risco porque, como a gente sempre olha do lado certo, lá esse lado passa a ser o errado e nessa confusão, depois que se olha para todos os lados até se certificar de que não vêm mais veículos, o sinal na esquina abre e tem que se começar tudo de novo. Além dos carros, ônibus e caminhões, tem os Tuk Tuk que são triciclos motorizados e as motos em pleno processo de decolagem para o espaço sideral. Essas motos nunca ficam na fila e assim serpenteiam pelos carros parados (algo como em São Paulo só que bem mais rápido)

O calor é insuportável e devido à alta umidade, num instante molha-se a camisa – isso sem falar na grande poluição que a deixa marrom. Para não ficar preso nos constantes engarrafamentos, eu, nos momentos de folga, andei de moto-taxi. Foi ótimo, sendo que os únicos problemas eram manter o equilíbrio sem agarrar na cintura do motoqueiro (não tem onde segurar) e desviar os joelhos dos retrovisores dos carros. Aliás, decidi passar a usar os motoqueiros depois que descobri o tamanho das quadras.

É o seguinte: as ruas que cortam as avenidas chamam-se Sói e são numeradas. Beleza pensei, impossível se perder! Pode-se programar uma caminhada curta sem problemas… No ato mereci o troféu burrinense de gringo, com direito a bermudão até as canelas, camisa de florzinha de cores berrantes que não combinam, sapatos de verniz e meia branca ¾. Como estava na Sói 43 resolvi caminhar até a Sói 47. Achei ridículo tomar um táxi para percorrer quatro quadras e assim comecei a andar. Duas horas depois, camisa colada ao corpo, estava chegando à Sói 46, isso depois de muitos quilômetros (pelo menos senti que era isso tudo) e de topar com muitos cruzamentos inesperados. É que entre cada uma das Sói tem um montão de pequenas ruelas e passagens que, como não tem nome, não constam do mapa… Mas isso não é tudo; o verdadeiro problema é procurar se orientar estudando as ruas que estão indicadas no mapa e depois encontrá-las na realidade. Entenda-se; se você está no Abacaxignaquistão e procura uma rua chamada wuhtxksjr, no momento que topar com uma placa escrita wuhtxksjr sabe-se que chegou ao destino, não importando como se lê o tal nome, nem o que significa. Agora, se o incauto viajante está em Bangkok e procura a rua Suriwong street conforme escrito bonitinho em inglês no mapa, olhando a seu redor vê que está no número iasd da rua fghjk que fica perto da zcvb e que a tal da Suriwong certamente estará escrita na placa como cwigj. Talvez por isso muita gente não volta mais e acaba ficando por lá o resto da vida; nunca mais acha o caminho de volta. Por isso o que eu fazia para orientar os motoqueiros para onde queria chegar era ir contando o numero de ruas percorridas e conferindo no mapa para ver se estávamos chegando ao destino, já que pelo nome era impossível. Passei a sofrer a síndrome de total analfabeto.

A comunicação verbal é outro grande desafio. Ao ser recebido no hotel pela recepcionista bilíngüe em Inglês com um belo “guh auftelnúhh, see; ha awl iú, see, naah?” (good afternoon, sir; how are you, sir, né?) me dei conta de que teria grandes problemas pela frente.
Além de pronunciarem de uma forma totalmente inusitada eles trocam várias consoantes e omitem a ultima letra da palavra se ela tiver a má sorte de terminar em consoante. Eu procurava pensar de quantas maneiras se pode pronunciar errada cada palavra, trocava as consoantes e procurava adivinhar o sentido do que se estava tentando dizer.

Um dia ao voltar para o quarto encontrei a arrumadeira; ela me cumprimentou dizendo alguma coisa ininteligível e, a seguir, olhando para fora me disse “lênin naah, ná naah?” Na hora me deu um branco e fiquei olhando apatetado para ela durante alguns instantes pensando em como responder sem dar a entender como eu achei a qualidade de seu inglês quando tive a inspiração de olhar para fora: estava chovendo! Ocorreu-me que seria isso o que ela tinha dito, ou seja: It’s raining now! Que em Tailandês se transforma em (it’s – palavra omitida) lênin (troca o R por L e corta o G) naah (né?) ná (now - agora) naah? (né, de novo). Sim, respondi, agora está chovendo (yes! It is raining now!); e ela ficou feliz porque eu havia entendido.

Ia me esquecendo de dizer que R se pronuncia L (é a terra do Cebolinha do Maurício; todos falam como ele; uma glacinha…). Além disso o J vira D, o G vira C e no fim da frase ou no meio dela intercalam o inevitável “naah” que é o equivalente ao “né” japonês. Aliás não sei porque quando escrevem os nomes na grafia ocidental eles colocam os R, porque se você os lê dessa forma ninguém entende. Um dia pedi ao táxi para ir à rua Rama Four e ele ficou me olhando até que repeti que queria ir a rua Lama Fó… Fui correspondido com um largo sorriso e cheguei onde queria.

Como na língua deles não existe o plural, presente, passado, gênero, artigos, etc., tudo vai de acordo com a entonação, assim a nossa gramática precisa ser adaptada ao novo sistema e se transforma como se observa a seguir:

A arrumadeira ficou tão contente em conseguir um interlocutor que começou a gastar seu inglês. Quando perguntou o meu nome disse algo como “uó mai nêmi iú, naah?” ou seja, “what (is) my name you né? (qual o meu nome seu, né?). Para se decifrar a charada é preciso se lembrar de que os verbos não se conjugam nem existem pronomes possessivos na segunda pessoa e por isso eles perguntam” qual o meu nome seu, qual a minha casa sua, etc.). O plural é muito interessante, pois se obtém repetindo-se a palavra; ou seja, laranja = uma laranja; laranja laranja = várias laranjas. Um dia quando perguntei se uma determinada rua ficava longe e me responderam walk walk walk walk (uóqui, uóqui, uóqui, uóqui) desisti de caminhar e tomei um táxi.
Tem coisas que soam engraçadas; depois de algum tempo descobri que “sicalétis” não era chicletes nem chocolates, mas sim cigarettes. A propósito chocolates são pronunciados como “sicalátis” bastando mudar uma vogal. Claro, quem que não sabe uma coisa tão simples, não é?

Fiquei quase uma hora conversando com ela e assim enquanto treinava em decifrar charadas acabei sabendo um pouco sobre ela, sua família, seus problemas e de que queria trabalhar para mim por US$50.00 por mês. Quando queria se referir a si própria dizia “ái, naah” (I, naah – eu, né). Seu nome é Sukanya Sawangboontham (tá bem, vocês não precisam ficar olhando para mim desse jeito; é claro que não entendi; eu li em seu crachá…), mas na hora fiquei olhando com um ar de imbecil até que ela se apressou a dizer que o seu apelido era “Díu” e escreveu num papel para eu aprender “Jiu”. Eu li e repeti “Jíu”, ela então me corrigiu “ái Díu, naah” eu então desisti e disse “está bem, fica sendo Díu como você quer, tá bom?”
Ela me contou que tem um “tuél ía ôdi” (twelve years old - doze anos – subentendido criança), mas fiquei sem saber o sexo da criança porque a palavra para masculino e feminino é idêntica e se pronuncia igual só que num caso o som vai crescendo e no outro decrescendo e eu não sabia qual era qual. Conversamos longamente e no final dessa maratona eu já estava conseguindo entender melhor o que essa gente diz. Aí estão alguns exemplos para vocês decifrarem:

1) 1) ái lái iú 2) no dink biá 3) lun fó lent 4) Líu di Danêlu 5) aah bug 6) flá siken 7) flênci flas
2) Tradução: 1) I like you 2) no drink beer 3)room for rent 4) Rio de Janeiro 5) hamburguer 6) fried chicken 7) french fries
3) Ou: 1) eu gosto de você 2) não bebo cerveja 3)quarto para alugar 4) Rio de Janeiro 5) hamburger 6) frango frito 7) batata frita

Por falar em comida, aquilo por lá é um desastre. As coisas que se vendem (e se cozinham) nas calçadas são indescritíveis – e nem vou tentar descrever, para não perder o apetite. Batem longe essas coisas horríveis do Brasil como os restos de porco da feijoada, carne seca, rabada e outros. Basta dizer que, no bar, como tira gosto, veio um prato de algo que a princípio pareciam camarões pequenos torrados com casca, cabeça, pernas e tudo. Achou ruim? Pois é pior do que se pode pensar. Como a cor era marrom, achei estranho para camarões e, ao olhar de perto vi que eram gafanhotos… Até peixe frito no espetinho eles conseguem preparar de um jeito que não dá para comer; o aspecto é de sair correndo pedindo a Deus por um hambúrguer – mas que seja de carne de vaca ou similar (lá só tem búfalo). Aliás, quando eu saía à noite e a fome apertava era só passar perto dessas barraquinhas para perder a fome e eu então não comia mais pelas próximas 6 horas. Porém teve suas compensações. Em termos de frutas têm quase todas as do Brasil, fora as outras de lá. Comi fruta do conde, mamão, goiaba, melancia, abacaxi, etc., etc. Preços? Bem, três frutas do conde = US$2,00; um bom pedaço de melancia gelada = US$0,25, goiaba do tamanho de duas laranjas = US$0,10 tudo super barato. Outras coisas: água de coco, mandioca, sopas de verduras, macarrão (que, como se sabe é invenção dos chineses e não dos italianos) e muita coisa do mar.

Um dia tive um ataque de fraqueza mental e decidi ir a uma casa de massagem do pé. Trata-se de massagem por reflexos onde cada parte do pé, sola, dedos e dorso, quando estimulada, atua em determinados órgãos do corpo. Isso é tanto verdade que conforme o ponto estimulado eu sentia o reflexo no meu corpo. Essa é uma prática oriental e como eu estava no lugar certo, decidi experimentar.

A experiência é inesquecível! Após lavagem com água morna e um relaxamento inicial (talvez para distrair o cliente do que vem por aí) começou a tortura. A menina primeiro tentou desmontar meu pé e se esforçou para mudar a posição de todos os meus ossos. Depois tentou arrancar os dedos. Como não conseguiu nem uma coisa nem outra, pegou um pedaço de madeira na forma de uma caneta grossa, sem ponta, e me espetou com força em uma porção de pontos na sola do pé e dedos, sempre tentando atravessar de um lado para o outro… (achei que se ela usasse uma faca ficaria mais fácil e menos doloroso…) De tempos em tempos ela riscava a sola do pé de cima a baixo – nessa hora, quem tem cócegas garanto que pula – e depois apertou tanto o calcanhar que acho que ficou um pedaço dele por lá. Doeu pra caramba, mas não podia gritar, pois havia outros clientes na sala que estavam se esforçando como eu para calar a boca e sacanear os futuros clientes que não sabiam onde estavam se metendo. Havia até uns que ficavam sorrindo; uns sádicos esses! A sessão dos pés durou uma hora, e no final ela pegou dois martelos de borracha e ficou me martelando a sola dos pés e os lados, com certeza para colocar os ossos de volta no lugar. Acontece que enquanto se passa por tudo isso em um pé, como a gente não sabe, fica tudo por conta da surpresa e quando acaba é um alívio; o grande problema é que quando ela agarra o outro pé você já sabe o que espera e aí vem o sofrimento por antecipação; oh não, vai começar tudo de novo! No final, a grande piada é que depois disso tudo eles esperam que o cliente saia andando como entrou; eles deviam é providenciar uma cadeira de rodas para cada um… Faltou ainda dizer que houve massagem complementar das costas, ombros, pescoço, braços e mão; ou seja, ficou tudo revirado e fora do lugar. Até a orelha me puxaram, mas no final consegui achar o caminho da rua. Até já marquei a próxima sessão: para daqui a dez anos. Preço de tudo? US$9,00 incluída a gorjeta, por uma hora e meia de sessão. Uma bagatela! Agora já sou capaz de caminhar descalço sobre pregos, cacos de vidro e brasas; estou me iniciando como faquir.

Fui depois a uma cidade do litoral chamada Pataiá. Disseram-me para pegar um táxi. Depois de um tempão e nada de táxi, descobri o truque. Lá os táxis são uma espécie de caminhonete coberta que você compartilha com outras pessoas, como se fossem ônibus. Deve estar escrito táxi junto com uma porção de outras coisas, mas nada que a gente consiga decifrar – inclusive o preço. Tem até campainha para dar sinal para descer. Preço médio das corridas: US$0,25
Uma coisa que me chamou a atenção foi a presença das esposas na frente, ao lado dos motoristas. Elas fazem companhia e ajudam na cobrança das corridas. Aliás, vi que isso é muito comum. Um dia troquei os saltos de um par de sapatos em um sapateiro ambulante que trabalhava na calçada junto com a mulher. Cada um fazia uma parte; Preço: US$4,00.

Nessa cidade havia muito turista europeu e como sempre aqueles tipos que não tem a menor noção do que vestir numa cidade de praia: shorts amarelo daqueles de salto em distancia em olimpíadas (abertos nos lados até a cintura), camisa de manga comprida de florzinha, sapatos de verniz pretos e meias pretas três quartos. Uma gracinha. E também aqueles completamente alucinados: careca com rabo de cavalo até a cintura; tatuagem em toda parte, até no topo da cabeça; argolas em tudo quanto é lugar, nariz, sobrancelha, boca, e talvez no cérebro; em suma, um zôo. Como dizem os locais, muito “falângui” ou foreigners por toda parte.

Foi uma experiência fascinante e gostei muito de conhecer essa parte do mundo.

Sunday, July 4, 2010

BENVINDA ARDI






















Estamos dando as boas vindas a Ardipithecus Ramidus (Ardi para os amigos), uma ilustre senhora que viveu há 4,4 milhões de anos atrás e portanto uma ancestral do ser humano moderno. Ela é mais antiga que a famosa menina Lucy (Australopitechus Afarensis) encontrada em 1974, que possui características humanas e viveu há 3,2 milhões de anos.

Essa foi a reportagem de capa da National Geographic deste mês indicando o anúncio formal à sociedade científica feito em outubro do ano passado. Os fósseis foram encontrados 15 anos atrás por Tim White, paleoantropologista da Universidade da California e seus colegas Berthane Asfaw e Giday WoldeGabriel na região Afar Basin próxima ao rio Awash na Etiópia. Foi o resultado de muitos anos de trabalho e pesquisa e o que se encontrou foi surpreendente. O fóssil possui características humanas como bipedalismo e dentes pequenos, porém também características de símios como cérebro pequeno e dedão do pé afastado. Está sendo considerado como a conexão entre humanos e símios.

Nossa arvore genealógica indica que há 8 milhões de anos houve uma separação que deu origem ao gorila moderno, e há 6 a que deu origem aos chipanzés e bonobos. No caso da Ardi ela já estaria na nossa linhagem direta. Interessante como, à medida que os trabalhos da ciência progridem, cada vez fica mais evidente nossa evolução a partir de animais primitivos. Hoje não há como contestar a teoria da evolução das espécies, pois com tantas evidências ela já é uma teoria comprovada e, portanto, não está sujeita a que as pessoas acreditem nela ou não. Agora as pessoas se informam ou não; a teoria é um fato a ser aprendido.

Convido vocês a darem uma olhada na internet para obter mais detalhes, afinal todos têm interesse em conhecer nossos ancestrais, não é verdade?

Saturday, July 3, 2010

MEMÓRIA CONFIÁVEL?

Todos nós lembramos das coisas que nos chamaram a atenção. Às vezes coisas bobas ficam muito tempo na memória, ou por muito tempo, porém acontecimentos com intenso efeito emocional ficam para sempre, sejam eles bons ou ruins. Podemos afirmar que temos certeza de todos os detalhes que ficaram em nossa memória, pois se lembramos deles é porque esses detalhes são reais e realmente aconteceram.

Será?

Ensina-se na universidade de direito o cuidado que se deve tomar ao ouvir depoimentos de testemunhas. Por um lado a pessoa pode estar simplesmente mentindo, por outro, pode estar enganada. Esse segundo aspecto é o que mais preocupa. Uma testemunha honesta e confiável pode dar um testemunho diferente da realidade e isso porque o que ficou gravado em sua mente não foi a realidade como em uma foto ou filme, mas o que a pessoa acha que viu; o que impressionou os seus sentidos. A mente de uma pessoa guarda o aspecto, real ou imaginário, que mais impressionou no momento da ocorrência, e isso acontece com todos nós…

Um exemplo interessante está no filme My Cousin Vinny (Meu Primo Vinny), ótimo filme, muito engraçado, com o ator Joe Pesci. Nesse filme todas as testemunhas apresentam um depoimento diferente da realidade, pois elas ficaram impressionadas com um ou outro detalhe que, apesar de parecido com o que realmente ocorreu, na verdade não era o fato real, o que quase custou a condenação de dois jovens.

Se analisarmos todas as nossas memórias talvez possamos detectar erros ou possibilidades de erros – ou se estivermos convencidos da sua veracidade talvez não o possamos fazer. O cérebro não é um computador e o que fica na memória são impressões e não fatos. Ao presenciarmos um evento dramático, por exemplo, um acidente com morte ou um assassinato, cada um vai gravar na memória aquilo que mais lhe sensibilizou. Nessa hora podem-se confundir os detalhes do acidente e do ambiente a sua volta, ou a cor do assassino, seu aspecto e detalhes do crime. Há ainda um agravante. Com o passar do tempo ao remoer o acontecimento, nossa imaginação pode acrescentar detalhes que não existiam antes e depois começar a acreditar neles como se realmente tivessem existido.

Vocês já chegaram pela primeira vez a lugares onde tiveram a sensação de já terem estado lá antes? Isso ocorre porque a memória guardou sensações provocadas por lugares diferentes que por um acaso são as mesmas que esse novo lugar está provocando, e por isso parece que se está de volta a um mesmo lugar visitado no passado – ou em uma “vida anterior”.

Diz-se que, quando se inventa algo, se a pessoa passar muito tempo achando que essa invenção foi realidade, ela passa a ser considerada que não foi inventada, mas sim é realidade absoluta. Essa alteração de memória ocorre de maneira inconsciente e por isso a pessoa ao afirmar algo que não aconteceu estará falando a verdade, pois para ela é um fato realmente ocorrido.

Existe uma tendência em construir rostos e vozes. Ilusões óticas e sons inexistentes acabam fazendo parte de nossa memória e por vezes se interpõem a acontecimentos reais. O cérebro é mestre em simulações e confusões com experiências vividas apenas em sonhos. Podemos chamar de alucinações ou psicoses, porém sem o conhecimento da pessoa envolvida. Nesses casos acaba-se criando um modelo alternativo da realidade.

Vocês já ficaram de frente a uma foto de uma pessoa em tamanho natural onde nessa foto a pessoa olha diretamente para você? Quando você caminha ao redor da foto parece que os olhos na foto acompanham você… Esse é um bom exemplo de ilusão ótica criada pelo cérebro. Façam uma experiência, um dia em que saírem a passeio em grupo e acontecer algo extraordinário, ou se por acaso viram uma paisagem que chamou a atenção do grupo, ao chegarem em casa peçam que cada um de sua versão do que viu. Vocês vão comprovar que existirão detalhes conflitantes ao se comparar as impressões.

A conclusão que podemos tirar disso é que se não podemos confiar totalmente na nossa própria memória, temos que levar isso em conta ao avaliarmos o testemunho de terceiros, mesmo quando essas pessoas são honestas e confiáveis.

Sunday, June 27, 2010

PONTOS A PONDERAR PARTE 2

Avaliando os casos citados no post anterior acredito que se tivermos que mencionar apenas uma causa para esses problemas essa seria a intolerância. Intolerância com relação aos seguidores de outras religiões e aos que não tem religião; intolerância contra os que pertencem a outros países, regiões, cidades e clubes. Intolerância com relação à ciência onde as suas descobertas contradizem as crenças dos antigos que ainda são promovidas mesmo depois de todo o avanço do conhecimento humano.

Ate que ponto isso nos afeta?

Por um lado temos os seguidores da pior religião que existe, o islamismo, que exerce o controle total, mental e físico sobre as pessoas, é completamente intolerante em relação aos demais e quer o controle de toda a humanidade, ou a sua destruição se não aceitarem o seu domínio. Sua manifestação mais evidente são os terroristas, e os sintomas são revoltas periódicas quando se irritam com a liberdade do resto do mundo – como o episódio de cartoons de Maomé.

Do outro lado o percentual alto de desinformados e intolerantes americanos, mesmo que seja menor que 40%, indica que pessoas com essa visão limitada se encontram no legislativo, executivo, judiciário e forças armadas da maior potência militar e econômica do planeta. Essas pessoas vão influenciar decisões ao se lidar com pessoas de outras crenças ou nenhuma. Pode-se esperar algum resultado positivo ao se reunir duas correntes fanáticas, para se resolver problemas? Antigamente religiões torturavam e matavam os desafetos, mas seu poder de destruição era limitado. Hoje os dois lados possuem armas de destruição em massa capazes de afetar todo o planeta.

Por essa razão não posso ficar calado e insisto que as pessoas usem a razão e se informem. Todos nós estamos sendo ameaçados pelo fanatismo em todos os lados.

Quando se trata de manipular pessoas não existe diferença entre religião e política. Os dois lados buscam manipular os incautos e desinformados para obter ganhos pessoais. Os mal intencionados sabem falar a linguagem que convence essas pessoas. Eu sempre promovo o conhecimento, mas isso não quer dizer que todos devam ser cientistas. Não precisa saber profundamente de tudo, mas é fundamental buscar informação quando a razão detecta algo errado.

Podemos ficar penalizados com as milhares de pessoas que sofrem aniquilação cerebral e são vitimas dos muitos centros de extorsão que se encontram em cada esquina; são as organizações de arrecadação do Macedo, a universal, do Estevan e Sonia Hernandes da renascer, assembléia de deus e as muitas outras semelhantes como nova vida, internacional, chave do edem, etc. Esses tem um único e exclusivo objetivo: manipular para tirar dinheiro. Podemos achar que isso não nos afeta; porem somos afetados porque são essas vitimas desinformadas que irão escolher dentro da escória da sociedade os políticos que irão roubar, enganar e prejudicar o povo. Se juntarmos o resultado do roubo de todos os assaltantes do Brasil, esse valor não chega aos pés do que um político ou um desses Macedos fazem. Vou mais além, junte-se todo o movimento de drogas do país e veremos que o crime organizado de Macedo e companhia, mais os políticos, roubam muito mais. Existe polícia, Bope e outros para atacar o crime, mas não existe nada para acabar com os que realmente atacam e prejudicam seriamente a população, sendo ela crente ou não. O crime mata, é verdade, mas o crime dos espertalhões da fé mata em vida, criando zumbis que não sabem que estão mortos. Esses só são permitidos de continuar respirando enquanto puderem dar dinheiro

Muitas pessoas mais esclarecidas que dizem seguir uma determinada religião,na verdade o fazem de maneira seletiva. Considero que essas pessoas não se conformam com tudo o que lhes é dito e assim buscam se informar. São pessoas que tiveram a coragem de usar a razão e confrontar o que acham ser absurdo. Talvez neste ponto algumas pessoas de fé estejam incomodadas com eu estar eventualmente criticando sua religião; porem peço que considerem o seguinte: quantas pessoas realmente seguem sua religião? Quantas pessoas esclarecidas decidem que tem certas coisas na sua religião que não precisam ser seguidas, ou por estarem ultrapassadas, ou por serem incômodas ou por simplesmente não concordarem com elas? Seguir uma religião é como ter confiança; não existe meio termo ou se confia ou não. Confiar em alguém, mas manter um pé atrás por precaução é igual a não confiar.

Avaliando o comportamento das pessoas que conheço, a grande maioria que diz seguir alguma crença o faz de maneira seletiva. Conheço dois que seguem realmente. São zumbis mortos em vida. Estes vivem totalmente para a religião, freqüentam o templo quase todos os dias, passam noites em vigílias, se afastaram da esposa e filhos, das suas famílias, consideram diversão como coisa do diabo, não ouvem musica ou assistem televisão, suas conversas são apenas religião e por isso as pessoas evitam contato com eles; vivem com pavor de irem para o inferno e passam necessidade por darem quase tudo o que tem para o pastor. Eu concordo que são casos extremos, mas até que ponto uma religião tem o direito de anular uma pessoa, totalmente, ou mesmo parcialmente e aliená-la do mundo?

Deve-se então adotar o que é bom e ignorar o resto? Então para que seguir uma religião; melhor é fazer em casa ou em algum outro lugar que propicie paz e recolhimento o que faria na igreja, templo, terreiro ou salão. Se a pessoa acredita em um ser supremo que esta em toda a parte, melhor comunicar-se diretamente do que ir através de um intermediário muitas vezes mal intencionado e que não merece a confiança que as pessoas de boa fé lhe outorgam.
Tendo dito isso, o ambiente de recolhimento e de um templo é um local onde se pode passar momentos de reflexão e de bem estar. Eu gosto do silencio de um ambiente desses.

Não digo que todas as religiões são essencialmente más, porem todas se beneficiariam muito de uma atualização em suas regras e dogmas. As principais foram criadas em épocas distantes quando a humanidade não possuía conhecimentos da realidade das coisas que possui hoje, por isso contém dogmas totalmente desatualizados e absurdos. Muitas promovem a violência (moral ou física, ou ambas) justificada pela intolerância a tudo e a todos que forem contrários às suas idéias. Muitas se dedicam a explorar os próprios fieis tornando-os incapazes de pensar por si próprios com o único objetivo de lhes tirar dinheiro. Outras preferem efetuar uma lavagem cerebral tão eficiente que as próprias vítimas criam barreiras contra qualquer tipo de esclarecimento que venha de fora e que eventualmente as libertaria dessa escravidão mental. Martinho Lutero disse que a razão é inimiga da fé…

Sei que em essência todas as religiões também pregam princípios muito positivos e bons para as pessoas; o problema começa quando os dirigentes acrescentam sua própria agenda e insistem em absurdos para obter o domínio dos fiéis

Para quem tem curiosidade, encontrei na internet as seguintes relações de sessões e seitas no Brasil:
“dia do descarrego”; “meia-noite da libertação”; “noite da quebra de feitiços”, “dia do óleo santo de Israel”; “corrente dos empresários”; “culto da sexta-feira 13”, “sexta-feira forte, desencapetamento total” e “venha receber seu shampoo sagrado”.

Seitas:
Igreja da Água Abençoada, Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina, Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder, Congregação Anti-Blasfêmias, Igreja Chave do Éden, Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta, Igreja Batista Incêndio de Bênçãos, Igreja Batista Ô Glória!, Congregação Passo para o Futuro, Igreja Explosão da Fé, Igreja Pedra Viva, Comunidade do Coração Reciclado, Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal, Cruzada de Emoções, Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos), Congregação Plena Paz Amando a Todos, Igreja A Fé de Gideão, Igreja Aceita a Jesus, Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém, Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo, Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos), Igreja Barco da Salvação, Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo, Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação, Comunidade Arqueiros de Cristo, Igreja Automotiva do Fogo Sagrado, Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo, Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Igreja Palma da Mão de Cristo, Igreja Menina dos Olhos de Deus, Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos, Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água, Igreja Batista Ponte para o Céu, Igreja Pentecostal do Fogo Azul, Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!, Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas, Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade, Igreja Filho do Varão, Igreja da Oração Eficiente, Igreja da Pomba Branca, Igreja Socorista Evangélica, Igreja ‘A’ de Amor, Cruzada do Poder Pleno e Misterioso, Igreja do Amor Maior que Outra Força, Igreja Dekanthalabassi, Igreja dos Bons Artifícios, Igreja Cristo é Show, Igreja dos Habitantes de Dabir, Igreja ‘Eu Sou a Porta’, Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo, Igreja da Bênção Mundial, Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse, Igreja Pentecostal do Pastor Sassá, Igreja Sinais e Prodígios, Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul, Igreja do Manto Branco, Igreja Caverna de Adulão, Igreja Este Brasil é Adventista, Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção), Igreja Evangélica Florzinha de Jesus, Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando, Ministério Eis-me Aqui, Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia, Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará, Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos, Igreja Evangélica Facho de Luz, Igreja Batista Renovada Lugar Forte, Igreja Atual dos Últimos Dias, Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te, Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas, Igreja Evangélica Bola de Neve, Igreja Evangélica Adão é o Homem, Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado, Ministério Maravilhas de Deus, Igreja Evangélica Fonte de Milagres, Comunidade Porta das Ovelhas, Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica, Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo, Igreja Evangélica Luz no Escuro, Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim, Igreja Pentecostal Planeta Cristo, Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos, Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

Monday, June 21, 2010

PONTOS A PONDERAR PARTE 1


Vivemos uma era de ouro da ciência, que ampliou consideravelmente seus conhecimentos beneficiando a humanidade. Qualquer pessoa pode ter acesso aos resultados de pesquisas que consumiram anos de trabalho e investimentos altíssimos, bastando apenas comprar um livro ou mesmo por consulta grátis na internet. Hoje só não se informa quem não quer. O conhecimento protege as pessoas contra os aproveitadores e manipuladores de opinião que abundam por aí. O conhecimento ajuda a tomar as decisões mais adequadas para o bem estar de todos, além de evitar que as pessoas sejam enganadas. Por outro lado, tomando em conta pessoas que conheço várias dizem “não ter tempo” para se informar e outras não dizem, mas proíbem a si próprias de buscar a informação.

Existem no mundo livre, pessoas que optaram por possuir uma fé e outras não. Naturalmente estou excluindo esses países que ainda vivem na idade média onde seus habitantes não têm nem liberdade nem opção. Ter uma fé que proporciona paz e conforto é uma decisão muito boa. Uma fé que conforta quando se perde pessoas queridas e acalma perante a certeza da própria morte é um beneficio de muito valor. A fé que beneficia, faz as pessoas se sentirem melhor e as motiva para fazer o bem e ajudar ao próximo é uma força poderosa e muito importante. Uma pessoa que decide ter fé em uma entidade superior quando essa fé lhe faz bem, e ao próximo, é uma pessoa que deve ser respeitada, não nos cabendo o direito de criticar sua decisão. Como eu afirmei em um post anterior, eu respeito as pessoas boas e discrimino com todas as forças as pessoas más.

Uma pessoa que decide não ter fé e usufrui de todos os benefícios mencionados acima é uma pessoa que merece ser igualmente respeitada pela sua decisão. Viver em harmonia é respeitar as decisões pessoais das pessoas quando essas decisões não afetam negativamente os demais.
Um lado não deve execrar o outro; aceitemos as pessoas que vivem em paz

Espero que até agora todos estejamos de acordo. Vou a seguir colocar para discussão alguns fatos para que vocês pensem, porém não deixem que idéias e preconceitos interfiram nessa avaliação. Vamos agir como um pesquisador que observa antes de tirar conclusões, sem deixar que suas idéias interfiram no resultado.

Analisemos alguns acontecimentos e fatos da atualidade:
Para melhor compreensão do que se passa na cabeça das pessoas envolvidas, vejam como fica o noticiário quando o relato se aproxima da maneira de pensar dessas pessoas.

1) Em 11/9/2001 nos USA, 19 jovens inteligentes e bem intencionados, se dispuseram a sacrificar a própria vida para assassinar infiéis inimigos de Allah. Como recompensa por essa boa ação Allah os recompensaria com o paraíso e 72 virgens cada (“virgem”, na verdade, é uma tradução errada para árvores com poderes de agradar os sentidos e trazerem o bem estar), com a possibilidade de ainda levarem para lá seus parentes diretos.

2) Durante a Guerra da Bósnia, cristãos se dedicaram a erradicar muçulmanos amaldiçoados por Deus e inimigos dos homens de boa vontade.

3) Na Irlanda, por muitos anos, protestantes seguindo inspiração divina arriscaram a vida guerreando católicos, notoriamente identificados como inimigos da verdadeira fé.

4) Glorinha em seu blog publicou um post com uma notícia que vou repetir: os jogadores do Santos, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa se recusaram a sair do ônibus e entregar ovos de páscoa a crianças com deficiência cerebral. Como essas crianças são cuidadas pelo Lar Espírita Mensageiros da Luz, conduzido pelo diabo, os jogadores, cristãos fervorosos, naturalmente não puderam prestigiar uma obra reconhecidamente pertencente ao capeta.

5) Em pesquisa periódica realizada pelo instituto Gallup nos USA durante os anos de 1993, 97, 99, 01, 04, 06, 07 e 2008 obteve-se que cerca de 40% dos entrevistados (44% em 2008) acredita que a Terra tem uns 10 mil anos de existência e que os humanos e todos os animais de hoje foram criados na atual forma naquela época. Esses americanos estão profundamente preocupados com os 60% da população que, ao não reconhecer a verdade que está na bíblia, certamente sofrerá a condenação eterna.

(Essa pesquisa me deixou atônito! Num país onde frequentemente na televisão se assiste a documentários sobre universo, sobre o nosso planeta e sobre antropologia e paleontologia, entre outros, uma grande parcela da população prefere ignorar os fatos. Será que algum deles também acredita que o Sol gira ao redor da Terra? Para mim é como se essas pessoas acreditassem em Papai Noel, coelhinho da páscoa, saci pererê e mula sem cabeça, coisa que faria qualquer pessoa esclarecida rir de tanta ingenuidade).

O que está acontecendo com essas pessoas? O que é responsável pela violência dos três primeiros itens, pela atitude irracional do quarto e pela falta de conhecimento voluntária do quinto? Eu comentei antes que a fé pode ser muito boa, por isso acho que não é a fé em si, mas a manipulação dela que causa o problema.

O que nos espera no século XXI?

Vou deixar meus comentários para o post seguinte; farei agora uma pausa para reflexão dos que quiserem fazê-la.

Shrek em recesso no pântano tentando entender a humanidade.

Thursday, June 17, 2010

Comentários sobre vida racional em outros planetas

Para chegarmos a uma opinião sobre a existência ou não de vidas racionais em outros planetas precisamos efetuar uma análise utilizando três recursos básicos:
1) Ciência: baseia-se em fatos comprovados e informações concretas que permitam a elaboração de uma teoria ou proposição que explique o fenômeno sendo estudado.
2) Lógica: baseia-se em outros fenômenos já comprovados que por sua relação direta ou indireta com o fenômeno sendo estudado permita inferir uma possível teoria ou proposição, quando não existem dados suficientes para esse fenômeno que está sendo estudado, que possibilitem uma abordagem puramente científica.
3) Estatística e probabilidades: baseia-se em fórmulas matemáticas que indicam a probabilidade de ocorrência de um fenômeno, quando se conhecem as variáveis que atuam na sua ocorrência.

Muito importante para essa análise é a eliminação de qualquer interferência de crenças no processo ou estaremos distorcendo as conclusões por conta de opiniões sem comprovação. Nenhum método de análise de um tema concreto pode incluir opiniões e crenças. Se a pessoa que deseja se informar e chegar a uma conclusão tentar conciliar sua fé com o objeto ainda em estudo, estará acrescentando variáveis que pertencem a campos de estudos totalmente diferentes e irreconciliáveis, pelo menos durante a análise. Proponho que o faça depois, se assim o desejar, porém não antes de chegar a uma conclusão final com base nos três recursos que mencionei acima. Muito importante é não se preocupar se o resultado vai interferir com a sua crença. Se o desejo é aprender então busque o conhecimento sabendo de antemão que ao se aprender coisas, no mínimo algumas idéias e paradigmas anteriores poderão ser modificados.

Inicialmente podemos afirmar que, na Terra, a maioria dos animais é inteligente e apenas a espécie humana é racional; ou seja, sabe que existe e questiona o mundo que a cerca. Sabemos, pela ciência, que a vida surgiu neste planeta e que existe uma quantidade “astronômica” de planetas em nosso universo. Considerando essa quantidade de planetas, podemos afirmar por estatística que existe a probabilidade de existência de outros planetas parecidos com o nosso com condições de gerar vida. Pela lógica podemos especular que exista vida em muitos desses planetas. Ainda pela lógica e estatística podemos esperar que em muito poucos a vida conseguiu evoluir até gerar um animal racional. A ciência, por meio da teoria da evolução e mutações, nos informa como as muitas formas de vida modernas vieram de um ancestral comum. Ainda a ciência nos informa as diferentes mudanças climáticas e cataclismas por que passou o planeta nos últimos 2 e meio bilhões de anos (período este em que a vida surgiu e se desenvolveu) e das grandes extinções que por pouco não acabaram com toda a vida no planeta. Aprendemos com a ciência como a espécie humana evoluiu e passou a existir apesar dos grandes revezes e riscos de extinção por que passou. Finalmente a ciência nos informa das condições planetárias do nosso Sistema Solar que protegeram a Terra contra impactos devastadores que de outra forma teriam impedido a continuidade de qualquer vida.

Quando colocamos em uma formula matemática todas as variáveis que deram origem à espécie primata racional de características humanóides, incluindo extinções, casualidades, detalhes astronômicos e elementos da teoria do caos, chegamos a um numero absurdamente grande; ou seja, à conclusão de que a probabilidade é tão remota que não existem planetas suficientes em nosso universo que permitam a existência de um com a probabilidade de gerar outro ser humano idêntico a nós. Dito isso lembro que a estatística dá a probabilidade de ocorrência, mas não elimina a possibilidade; assim a lógica permite especular que, apesar de provavelmente não existir, também não se pode eliminar totalmente a possibilidade de haver uma outra espécie humana, talvez não igual mas parecida, em algum lugar no universo; mesmo que a probabilidade seja extremamente pequena. Essa especulação se baseia no fato de que coisas improváveis podem acontecer. Por exemplo, por estatística, embora a probabilidade de sair qualquer número em um dado é igual para cada um dos seis números, na realidade ao jogarmos o dado durante um certo tempo vamos obter um numero que saiu mais vezes que outros. Poderíamos pensar que, sendo a probabilidade a mesma, todos os números sairiam na mesma proporção.

Conclusões:
1) Pela ciência, como ainda não existe evidência comprovada, nem há fatos concretos, não podemos concluir que há vida em qualquer estágio de desenvolvimento fora da Terra. Pela lógica, amparada pela estatística, existe sim grande probabilidade e muita possibilidade de existir. Não é lógico imaginar que só há vida por aqui com tantos planetas existentes no universo. Eu estou convencido, embora sem respaldo científico, de que existe vida em todos os estágios de desenvolvimento, naturalmente em quantidades inversamente proporcionais ao grau de dificuldade.
2) Seguindo o mesmo método, podemos também concluir que uma vida racional de seres hominídeos como nós provavelmente não existe. A probabilidade de existir requer um numero de planetas maior do que o existente no universo, porém fica sempre uma muito remota possibilidade.

Houve contatos de humanos com ETs?
Os muitos relatos registrados carecem de evidência e na sua maioria têm todas as características de alucinações, crenças no irreal e erros de memória. Como mencionei no post anterior, a presença de bactérias e microorganismos na Terra impede um contato direto sem proteção total. Um alienígena teria muitas razões para evitar contatos diretos, porém contatos indiretos são possíveis. Infelizmente ainda não se conhece nenhum caso isento de duvidas, que eu saiba. Vou comentar esse problema da memória em outro post e volto ao assunto.

Recomendação final: não deixem que paradigmas e crenças impeçam o acesso ao conhecimento e ao direito de questionar. Busquem fatos e informações que suportem suas opiniões e estejam sempre dispostos a reconhecer erros, encarando divergências como oportunidades para melhorar. Questionem sempre, pois ninguém é dono de toda a verdade; porém se acerquem dos que estão atualizados e procurem aprender. Eu estou num processo de aprendizagem; sei muito pouco das coisas e reconheço que tenho muito chão a percorrer.

Obrigado por prestigiarem este blog.