Monday, June 21, 2010

PONTOS A PONDERAR PARTE 1


Vivemos uma era de ouro da ciência, que ampliou consideravelmente seus conhecimentos beneficiando a humanidade. Qualquer pessoa pode ter acesso aos resultados de pesquisas que consumiram anos de trabalho e investimentos altíssimos, bastando apenas comprar um livro ou mesmo por consulta grátis na internet. Hoje só não se informa quem não quer. O conhecimento protege as pessoas contra os aproveitadores e manipuladores de opinião que abundam por aí. O conhecimento ajuda a tomar as decisões mais adequadas para o bem estar de todos, além de evitar que as pessoas sejam enganadas. Por outro lado, tomando em conta pessoas que conheço várias dizem “não ter tempo” para se informar e outras não dizem, mas proíbem a si próprias de buscar a informação.

Existem no mundo livre, pessoas que optaram por possuir uma fé e outras não. Naturalmente estou excluindo esses países que ainda vivem na idade média onde seus habitantes não têm nem liberdade nem opção. Ter uma fé que proporciona paz e conforto é uma decisão muito boa. Uma fé que conforta quando se perde pessoas queridas e acalma perante a certeza da própria morte é um beneficio de muito valor. A fé que beneficia, faz as pessoas se sentirem melhor e as motiva para fazer o bem e ajudar ao próximo é uma força poderosa e muito importante. Uma pessoa que decide ter fé em uma entidade superior quando essa fé lhe faz bem, e ao próximo, é uma pessoa que deve ser respeitada, não nos cabendo o direito de criticar sua decisão. Como eu afirmei em um post anterior, eu respeito as pessoas boas e discrimino com todas as forças as pessoas más.

Uma pessoa que decide não ter fé e usufrui de todos os benefícios mencionados acima é uma pessoa que merece ser igualmente respeitada pela sua decisão. Viver em harmonia é respeitar as decisões pessoais das pessoas quando essas decisões não afetam negativamente os demais.
Um lado não deve execrar o outro; aceitemos as pessoas que vivem em paz

Espero que até agora todos estejamos de acordo. Vou a seguir colocar para discussão alguns fatos para que vocês pensem, porém não deixem que idéias e preconceitos interfiram nessa avaliação. Vamos agir como um pesquisador que observa antes de tirar conclusões, sem deixar que suas idéias interfiram no resultado.

Analisemos alguns acontecimentos e fatos da atualidade:
Para melhor compreensão do que se passa na cabeça das pessoas envolvidas, vejam como fica o noticiário quando o relato se aproxima da maneira de pensar dessas pessoas.

1) Em 11/9/2001 nos USA, 19 jovens inteligentes e bem intencionados, se dispuseram a sacrificar a própria vida para assassinar infiéis inimigos de Allah. Como recompensa por essa boa ação Allah os recompensaria com o paraíso e 72 virgens cada (“virgem”, na verdade, é uma tradução errada para árvores com poderes de agradar os sentidos e trazerem o bem estar), com a possibilidade de ainda levarem para lá seus parentes diretos.

2) Durante a Guerra da Bósnia, cristãos se dedicaram a erradicar muçulmanos amaldiçoados por Deus e inimigos dos homens de boa vontade.

3) Na Irlanda, por muitos anos, protestantes seguindo inspiração divina arriscaram a vida guerreando católicos, notoriamente identificados como inimigos da verdadeira fé.

4) Glorinha em seu blog publicou um post com uma notícia que vou repetir: os jogadores do Santos, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa se recusaram a sair do ônibus e entregar ovos de páscoa a crianças com deficiência cerebral. Como essas crianças são cuidadas pelo Lar Espírita Mensageiros da Luz, conduzido pelo diabo, os jogadores, cristãos fervorosos, naturalmente não puderam prestigiar uma obra reconhecidamente pertencente ao capeta.

5) Em pesquisa periódica realizada pelo instituto Gallup nos USA durante os anos de 1993, 97, 99, 01, 04, 06, 07 e 2008 obteve-se que cerca de 40% dos entrevistados (44% em 2008) acredita que a Terra tem uns 10 mil anos de existência e que os humanos e todos os animais de hoje foram criados na atual forma naquela época. Esses americanos estão profundamente preocupados com os 60% da população que, ao não reconhecer a verdade que está na bíblia, certamente sofrerá a condenação eterna.

(Essa pesquisa me deixou atônito! Num país onde frequentemente na televisão se assiste a documentários sobre universo, sobre o nosso planeta e sobre antropologia e paleontologia, entre outros, uma grande parcela da população prefere ignorar os fatos. Será que algum deles também acredita que o Sol gira ao redor da Terra? Para mim é como se essas pessoas acreditassem em Papai Noel, coelhinho da páscoa, saci pererê e mula sem cabeça, coisa que faria qualquer pessoa esclarecida rir de tanta ingenuidade).

O que está acontecendo com essas pessoas? O que é responsável pela violência dos três primeiros itens, pela atitude irracional do quarto e pela falta de conhecimento voluntária do quinto? Eu comentei antes que a fé pode ser muito boa, por isso acho que não é a fé em si, mas a manipulação dela que causa o problema.

O que nos espera no século XXI?

Vou deixar meus comentários para o post seguinte; farei agora uma pausa para reflexão dos que quiserem fazê-la.

Shrek em recesso no pântano tentando entender a humanidade.

Thursday, June 17, 2010

Comentários sobre vida racional em outros planetas

Para chegarmos a uma opinião sobre a existência ou não de vidas racionais em outros planetas precisamos efetuar uma análise utilizando três recursos básicos:
1) Ciência: baseia-se em fatos comprovados e informações concretas que permitam a elaboração de uma teoria ou proposição que explique o fenômeno sendo estudado.
2) Lógica: baseia-se em outros fenômenos já comprovados que por sua relação direta ou indireta com o fenômeno sendo estudado permita inferir uma possível teoria ou proposição, quando não existem dados suficientes para esse fenômeno que está sendo estudado, que possibilitem uma abordagem puramente científica.
3) Estatística e probabilidades: baseia-se em fórmulas matemáticas que indicam a probabilidade de ocorrência de um fenômeno, quando se conhecem as variáveis que atuam na sua ocorrência.

Muito importante para essa análise é a eliminação de qualquer interferência de crenças no processo ou estaremos distorcendo as conclusões por conta de opiniões sem comprovação. Nenhum método de análise de um tema concreto pode incluir opiniões e crenças. Se a pessoa que deseja se informar e chegar a uma conclusão tentar conciliar sua fé com o objeto ainda em estudo, estará acrescentando variáveis que pertencem a campos de estudos totalmente diferentes e irreconciliáveis, pelo menos durante a análise. Proponho que o faça depois, se assim o desejar, porém não antes de chegar a uma conclusão final com base nos três recursos que mencionei acima. Muito importante é não se preocupar se o resultado vai interferir com a sua crença. Se o desejo é aprender então busque o conhecimento sabendo de antemão que ao se aprender coisas, no mínimo algumas idéias e paradigmas anteriores poderão ser modificados.

Inicialmente podemos afirmar que, na Terra, a maioria dos animais é inteligente e apenas a espécie humana é racional; ou seja, sabe que existe e questiona o mundo que a cerca. Sabemos, pela ciência, que a vida surgiu neste planeta e que existe uma quantidade “astronômica” de planetas em nosso universo. Considerando essa quantidade de planetas, podemos afirmar por estatística que existe a probabilidade de existência de outros planetas parecidos com o nosso com condições de gerar vida. Pela lógica podemos especular que exista vida em muitos desses planetas. Ainda pela lógica e estatística podemos esperar que em muito poucos a vida conseguiu evoluir até gerar um animal racional. A ciência, por meio da teoria da evolução e mutações, nos informa como as muitas formas de vida modernas vieram de um ancestral comum. Ainda a ciência nos informa as diferentes mudanças climáticas e cataclismas por que passou o planeta nos últimos 2 e meio bilhões de anos (período este em que a vida surgiu e se desenvolveu) e das grandes extinções que por pouco não acabaram com toda a vida no planeta. Aprendemos com a ciência como a espécie humana evoluiu e passou a existir apesar dos grandes revezes e riscos de extinção por que passou. Finalmente a ciência nos informa das condições planetárias do nosso Sistema Solar que protegeram a Terra contra impactos devastadores que de outra forma teriam impedido a continuidade de qualquer vida.

Quando colocamos em uma formula matemática todas as variáveis que deram origem à espécie primata racional de características humanóides, incluindo extinções, casualidades, detalhes astronômicos e elementos da teoria do caos, chegamos a um numero absurdamente grande; ou seja, à conclusão de que a probabilidade é tão remota que não existem planetas suficientes em nosso universo que permitam a existência de um com a probabilidade de gerar outro ser humano idêntico a nós. Dito isso lembro que a estatística dá a probabilidade de ocorrência, mas não elimina a possibilidade; assim a lógica permite especular que, apesar de provavelmente não existir, também não se pode eliminar totalmente a possibilidade de haver uma outra espécie humana, talvez não igual mas parecida, em algum lugar no universo; mesmo que a probabilidade seja extremamente pequena. Essa especulação se baseia no fato de que coisas improváveis podem acontecer. Por exemplo, por estatística, embora a probabilidade de sair qualquer número em um dado é igual para cada um dos seis números, na realidade ao jogarmos o dado durante um certo tempo vamos obter um numero que saiu mais vezes que outros. Poderíamos pensar que, sendo a probabilidade a mesma, todos os números sairiam na mesma proporção.

Conclusões:
1) Pela ciência, como ainda não existe evidência comprovada, nem há fatos concretos, não podemos concluir que há vida em qualquer estágio de desenvolvimento fora da Terra. Pela lógica, amparada pela estatística, existe sim grande probabilidade e muita possibilidade de existir. Não é lógico imaginar que só há vida por aqui com tantos planetas existentes no universo. Eu estou convencido, embora sem respaldo científico, de que existe vida em todos os estágios de desenvolvimento, naturalmente em quantidades inversamente proporcionais ao grau de dificuldade.
2) Seguindo o mesmo método, podemos também concluir que uma vida racional de seres hominídeos como nós provavelmente não existe. A probabilidade de existir requer um numero de planetas maior do que o existente no universo, porém fica sempre uma muito remota possibilidade.

Houve contatos de humanos com ETs?
Os muitos relatos registrados carecem de evidência e na sua maioria têm todas as características de alucinações, crenças no irreal e erros de memória. Como mencionei no post anterior, a presença de bactérias e microorganismos na Terra impede um contato direto sem proteção total. Um alienígena teria muitas razões para evitar contatos diretos, porém contatos indiretos são possíveis. Infelizmente ainda não se conhece nenhum caso isento de duvidas, que eu saiba. Vou comentar esse problema da memória em outro post e volto ao assunto.

Recomendação final: não deixem que paradigmas e crenças impeçam o acesso ao conhecimento e ao direito de questionar. Busquem fatos e informações que suportem suas opiniões e estejam sempre dispostos a reconhecer erros, encarando divergências como oportunidades para melhorar. Questionem sempre, pois ninguém é dono de toda a verdade; porém se acerquem dos que estão atualizados e procurem aprender. Eu estou num processo de aprendizagem; sei muito pouco das coisas e reconheço que tenho muito chão a percorrer.

Obrigado por prestigiarem este blog.

Wednesday, June 9, 2010

ESTAMOS SÓS NO UNIVERSO? ARE WE ALONE?

Galaxia M81

Galaxia Andromeda


Na edição de dezembro de 2009 nos USA a revista National Geographic Magazine publicou um artigo com as últimas descobertas de planetas próximos a nós como parte do projeto de se encontrar planetas com condições de vida semelhantes ao nosso. Há tempos que a humanidade se pergunta se estamos sós no universo. Estamos? O que vocês pensam? Vou comentar a seguir o que eu acho e em que argumentos científicos e lógicos eu me baseio.

Esse artigo informa os resultados da busca que está sendo feita pelo satélite francês Corot e o novo americano Kepler lançado em março de 2009, em duas regiões bastante próximas da Terra: um cubo de 400 anos luz de lado e um cone com 6.000 anos luz de altura. Eu tenho muita dificuldade em imaginar o tamanho das coisas no Universo. As distancias costumam ser um grande desafio para meus pobres neurônios que costumam entrar em curto circuito quando tento imaginá-las.

Vocês conseguem imaginar alguma coisa muito grande? Muito, mas muiiiiiiito grande? Façam isso e multipliquem por um bilhão e vocês ainda não saíram do Sistema Solar. Mercúrio está a 57,9 milhões de quilômetros do Sol. A Terra está a 149,6 milhões de quilômetros, e o último planeta – quando ainda era planeta – Plutão, a 5,9 bilhões de quilômetros. Para se ter uma idéia de proporção, se colocarmos o Sol na estação do metrô na Praça da Sé em São Paulo e Mercúrio na catedral ao lado, Plutão vai estar a quase seis quilômetros de distância.

Um ano luz é a distância percorrida pela luz em um ano. A luz percorre 300.000 km por segundo, logo em um ano a distância percorrida é de 300.000 x 60 x 60 x 24 x 360 = 9.331.200.000.000km! Ou seja, essa região ao nosso lado cobrindo uma área de 6 mil anos luz tem “apenas” 56 quatriliões de quilômetros de comprimento! Isso é praticamente nada em uma galáxia. A nossa Via Láctea, que não é muito grande, possui “apenas” 100.000 anos luz de diâmetro, ou quase um quintilhão de quilômetros! A Via Láctea está localizada em um pequeno grupo de galáxias chamado de Grupo Local por estarem situadas bem pertinho umas das outras e de nós. Essa região tem apenas 3 milhões de anos luz de diâmetro, ou 28 quintiliões de quilômetros; ou seja, logo aí no vizinho! Não vou nem colocar o tamanho do universo, da ordem de bilhões de anos luz, porque não cabem tantos zeros no papel. Nossa galáxia tem umas 200 bilhões de estrelas, a maioria com planetas, portanto temos trilhões de planetas. Já foram contadas mais de 250 bilhões de galáxias, ou seja, 250 bilhões de vezes trilhões de planetas. Será que o nosso planeta é o único com vida? Impossível.

Considerem a seguinte historinha: José tinha quase dez anos e toda a sua vida havia morado na roça próximo a um córrego muito pequeno, com muitos lambaris e barrigudinhos. Sua maior diversão consistia em pegar um copo, ir ao córrego e enchê-lo com um pouco da água próximo à margem e então observar os muitos peixinhos que sempre ficavam presos no copo. Nunca foi à escola, até que um dia o pai o levou ao Rio de Janeiro. Ao ver o mar, José ficou maravilhado, pois aquele córrego não tinha fim. Mais do que depressa apanhou um copo e foi pegar um pouco de água do mar, e nisso passou o resto da tarde. À noite, desapontado, declarou ao pai que, apesar daquele córrego ser tão grande, não havia nele nenhum peixe...

A humanidade ainda está com um copo na praia tentando encontrar peixes no filete de água que escorre pela areia. Considerando o tamanho do universo e a diversidade de planetas e sistemas que existem, com certeza temos um mínimo de quatriliões de planetas com condições de gerar vida, muitos deles que realmente já conseguiram e outros que conseguiram gerar vida inteligente e racional. Para mim, a maior prova de que existe vida em outros planetas com condições geológicas e astronômicas semelhantes às nossas é a de que a vida conseguiu surgir por aqui.

Voltando ao artigo, já foram localizadas na nossa vizinhança 316 estrelas com planetas, sendo que 6 delas com possibilidade de possuírem planetas como o nosso. Mais de 370 planetas foram identificados e 11 fotografados, sendo que a massa desses planetas está entre menos de 1.000 e quase 7.000 vezes a massa da Terra (Júpiter possui 3.180 vezes a massa da Terra). Existem planetas muito estranhos; em um deles, um ano dura três dias; imaginem a sua velocidade de translação. Outro tem a sua atmosfera constantemente sugada pela estrela e seu aspecto é o de um cometa com cauda.

A possibilidade de surgir vida em um planeta com condições favoráveis é como ganhar na loteria; é mais fácil ser atingido por um raio. Muito difícil, mas não impossível porque sempre tem alguém que ganha. Na semana passada alguém acertou 250 milhões de Dólares na loteria por aqui. Eu ganhei apenas 12 Dólares – ai, ai. Conclusão até agora: existe sim vida em outros planetas.

Quais as chances das formas de vida racionais em outros planetas serem parecidas a nós? Isso requer uma reflexão. Se analisarmos nossa historia de como um primata deu origem á primeira forma de vida racional na Terra, vamos ver que a chance do primata ter existido dependeu da extinção dos dinossauros. Na verdade todas as formas de vida que sucederam as primeiras, após o período pré-cambriano, foram os poucos sobreviventes de vários períodos de grandes extinções em massa, além de períodos de gelo intenso, mudanças radicais climáticas e todo o tipo de catástrofes. Outro fator de grande importância é a proteção que a Terra tem contra impacto de cometas e grandes asteróides devido à atração da Lua por sua proximidade e tamanho. Além disso, existe a proteção adicional proporcionada pela forte atração dos planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno que se interpõem entre o nosso planeta e as órbitas de cometas que vêm do anel Kuiper e nuvem Oórtica que circunda o Sistema Solar e dista 12 milhões de quilômetros do Sol. Por essas razões deixamos de ser atingidos milhões de vezes (vejam o lado oposto da Lua, coalhado de marcas de impactos), sendo que certamente em muitos casos, por cometas e asteroides que acabariam com todas as formas de vida na Terra.

Vimos que as formas de vida sobrevivem por chance apenas; casualidades que determinam sua sobrevivência ou extinção. Agora imaginem que para haver uma forma de vida como a nossa em outro planeta este teria não só de estar localizado em um sistema com planetas gigantes protegendo-o, ter uma lua grande, estar a uma distancia ideal da sua estrela e, mais crítico ainda, ter passado por catástrofes e extinções semelhantes às nossas. Minha conclusão é que isso é impossível, mesmo num universo tão grande e diversificado como o nosso. Equivale a ganhar sozinho na loteria todos os meses do ano.

Acredito que, infelizmente, nossa espécie com sua característica primata está só no universo; porém cercada de milhares de formas de vida racionais as mais bizarras que a imaginação possa conceber. Aquele ideal apresentado pela série Jornada nas Estrelas – Star Trek – onde os alienígenas são todos humanóides está muito longe da realidade. Também não podemos esperar que um contato direto com algum deles vá ser orientado pelos mesmos valores morais e éticos da nossa espécie. Eles deverão ter valores muito diferentes dos nossos portanto, como disse recentemente o astrofísico Stephen Hawking, um contato pode ser muito perigoso. Para tranquilizar a todos devo mencionar o livro do escritor H. G. Wells que escreveu “A Guerra dos Mundos” onde habitantes de Marte invadem a Terra. O final é brilhante. Depois dos alienígenas terem conquistado tudo, e não havia nada que os humanos pudessem fazer, eles simplesmente morreram. Foram destruidos pela espécie de vida mais abundante deste planeta e que se encontra em todo lugar desde os picos gelados do Himalaia, às profundezas abissais dos oceanos, dentro de rochas e de fontes geotérmicas, em toda a atmosfera, e que compoem a maior parte do corpo de todos os animais do planeta: as bactérias e microorganismos. Essa contaminação por si só impede qualquer contato direto seja com o alienígena vindo aqui ou nós sendo levados para lá. Êles não poderiam viver aqui ou manipular as formas locais de vida sem uma proteção total e constante . Novamente, nada é impossível, mas quase isso.

Thursday, June 3, 2010

Homossexualismo

Vocês têm amigos homossexuais? Gostariam de ter um? Aceitariam conviver com eles normalmente como com as outras pessoas, convidando-os para reuniões, festas, passeios, etc.? Eu já tive amigos assim e a experiência foi muito gratificante. Como vocês aceitariam um relacionamento homossexual de um filho ou filha?

A maioria das sociedades modernas não aceita o homossexual sem algum tipo de constrangimento; parte por causa de religiões intolerantes e parte pela rejeição de quem é diferente. Um amigo ou amiga homossexual pode ser uma pessoa dedicada e fiel. Naturalmente ninguém gosta de se relacionar com pessoas de comportamento exótico ou espalhafatoso, como “uma bicha louca” como se diz vulgarmente, porém essa não é uma característica de um homossexual “normal”. Podemos conviver com essas pessoas sem ofendê-las ou magoá-las sem razão? Vejam o meu post sobre preconceito...

Durante milênios e até os dias de hoje muita gente vem se perguntando qual o sentido da vida. Para que estamos vivos? Existe um objetivo para a nossa (e a dos outros animais) existência? O curioso é que a resposta a essa inquietude está à nossa volta. Eu costumo dizer que o peixe não vê a água, e mais uma vez isso se comprova. Desde a primeira forma de vida que surgiu há uns 2,5 bilhões de anos e todas as mutações que se seguiram, o único objetivo tem sido invariavelmente o da manutenção da existência da vida através da reprodução. Por causa disso a vida continua existindo e não deve desaparecer até que o Sol aumente de tamanho dentro de cinco bilhões de anos. Portanto, nós e todas as demais formas de vida, existimos para manter a vida existindo e para isso precisamos reproduzir. Com a reprodução a vida se mantém inalterada.

Não existe compulsão mais forte nos animais que o da reprodução. Mais do que a fome e preservação da própria vida. Nos mamíferos e mais especificamente nos humanos, as mutações criaram um prazer tão absoluto aliado ao processo da reprodução que a execução desse ato é irresistível. Para isso a atração ao sexo oposto é fundamental. Somente uma força muito forte seria capaz de fazer o homem voltar para a caverna depois de arriscar a vida em busca de alimento. As fêmeas lá estavam a sua espera e era preciso alimentá-las. É possível que tenham ocorrido algumas mutações onde a tendência homossexual era dominante, porém por motivos óbvios essas espécies simplesmente se extinguiram rapidamente. Como a tendência puramente homossexual é contrária à preservação da espécie, esse comportamento é inerentemente rejeitado. Dito isso temos agora outro componente muito importante nessa atitude: o prazer sexual puro e simples.

Durante milhares de anos as civilizações antigas consideraram o relacionamento homossexual com tolerância ou até com incentivo. Desde que não houvesse interrupção da natalidade, a relação homossexual como uma forma de se obter uma variação do prazer era perfeitamente normal. Algumas cidades-estado da Grécia antiga selecionavam pares homossexuais para lutarem lado a lado, o que os tornava ainda mais temíveis, pois um protegia o outro. O prazer sexual é muito bom e qualquer coisa que o promova é em principio muito bom também. No mundo moderno a única restrição é que, o que for feito seja de consentimento do par ou dos demais envolvidos no processo. No mundo antigo havia ainda a possibilidade de sexo forçado, como com os escravos, porém antes, como agora, o elemento motivador era o prazer.

O crescimento das religiões judaicas como o judaísmo, islamismo e cristianismo, principalmente esta última, criou a idéia absurda de culpa e necessidade de sacrifícios exigidos por um deus masculino e intolerante. Tudo o que provocava prazer passou a ser proibido e naturalmente o sexo, como sendo o melhor deles, o mais execrado. Devido ao seu apelo irresistível foi muito conveniente culpar a mulher pela indução do homem ao pecado, a começar pela desgraça ocorrida no paraíso. Desde então a mulher tem sido a grande vilã, prejudicando os “pobres homens” (hipócritas) desejosos de levar uma vida “pura” e livre de pecados. O homossexual foi o seguinte na lista de indesejáveis. Como não se pode passar sem mulher, mesmo sendo ela sempre condenada, os homens acharam conveniente expurgar apenas os homossexuais por serem estes minoria. Lésbicas então eram vítimas de dupla condenação: por serem mulheres e homossexuais.

Nas sociedades esclarecidas de hoje o sexo é um comportamento normal e suas variações em busca de prazeres diversificados, perfeitamente aceitável. Quem for a qualquer loja de sexo na Europa, em aeroportos e junto a outras lojas quaisquer nas cidades – que nesse terreno está anos luz de avanço em relação aos americanos – vai se surpreender com a quantidade de opções para se obter prazer e com o tipo de clientela – absolutamente normal – que as freqüenta.

Concluindo, eu não vejo problema algum em ter um relacionamento de amizade com homossexuais assim como com quaisquer outras pessoas cujo comportamento seja respeitoso e não violento em relação aos demais. As pessoas são diferentes e tem o direito de viver como desejarem desde que não interfiram negativamente nos demais. É um absurdo atacarem os homossexuais com palavras ou fisicamente apenas por serem “diferentes”; é o mesmo que brancos atacarem negros por serem de outra cor.

Eu cursei a universidade em uma pequena cidade no sul de Minas: Itajubá, e numa cidade dessas todos se conhecem. Naquela época havia uma moça lésbica com feições muito bonitas que costumava aparecer em festas populares e reuniões públicas com cabelo bem curtinho coberto por um chapéu preto, trajando colete, gravata e roupas de homem e que ainda por cima tentava falar grosso. Era uma pessoa que costumava ser maltratada pelos elementos medíocres da cidade. Uma vez eu estava cuidando de uma barraca de doces em uma festa junina e reparei a moça por perto, olhando muito para o meu lado. Sempre que eu a pilhava olhando ela mais do que depressa desviava os olhos e se afastava um pouco. Decidi sair de onde estava e ir de encontro a ela. Assustada, pensando que ia ser agredida, como era comum, ela tentou fugir, mas eu fui mais rápido e a segurei pelos ombros. Eu lhe disse: não se assuste eu conheço você; você é uma pessoa boa e merece respeito, você precisa de alguma coisa? Ela muito encabulada me disse que estava com fome e que gostaria muito de um docinho, mas não tinha dinheiro para pagar. Eu a tomei pela mão e nos dirigimos até a barraquinha. Lá eu preparei um prato de doces e a ofereci dizendo: aceite isso como um presente para que eu veja você sorrir. A menina então me olhou, sorriu e, com lágrimas nos olhos, me agradeceu tanto que eu nunca mais esqueci. Voltei para a barraca com o coração leve e, durante toda a noite, me senti muito feliz. Espero que ela tenha encontrado uma companheira como ela, tenha usufruído muito prazer e esteja vivendo intensamente feliz até hoje.

Shrek

Sunday, May 23, 2010

TEMPOS MODERNOS

Deixe-me ver: para usar meu cartão telefônico e acessar a AT&T, estando em San Jose, Costa Rica, devo discar 08000114114. Como estou no hotel, primeiro preciso obter uma linha e para isso é preciso discar 9. Discar, na verdade, é força de expressão já que hoje não se disca mais nada e sim apertam-se teclas. Viva o progresso; o que antes era demorado girando o dial do telefone e necessitando de ajuda da telefonista agora é rapidíssimo. Apertam-se teclas e presto; começa-se a falar com a pessoa do outro lado, esteja ela no próximo quarteirão ou no outro lado do mundo.

Vou então fazer uma ligação bem rápida; estou de saída para o trabalho e em uma hora irão me apanhar no saguão do hotel. Sem problemas, pois afinal estamos no século 21.

Muito bem, vamos lá: aperto o 9 para dar linha; aqui está! e depois 0800… deu sinal de ocupado no meio do número. Como assim? De novo digito 9, linha, e 0800011… ocupado outra vez; 9, linha e 080001… ocupado. Agora já está começando a perturbar, pois esse telefone dá sinal de ocupado sem que ao menos se termine de teclar o número todo. Isso está errado, pois na verdade a sequência é apenas um contato com o computador central da telefônica internacional da AT&T para ligações com cartão e nunca dá sinal de ocupado. São oito da manhã e devido ao fuso horário tenho uma hora no máximo para completar a ligação; além de que preciso descer, pois como disse, vão me buscar às nove lá em baixo no saguão. Insisto em 9, linha e umas cinco tentativas mais, sem conseguir chegar ao final do número. Finalmente 9, linha, 08000114114 e tocou! Disse-me então o computador :“AT&T. Please dial the number you are calling!” (“favor discar o número que deseja chamar”), eu então comecei a discar para o Brasil: 011-55-1… caiu a linha. Comecei de novo: 9, linha 080011… ocupado e etc, etc, etc. Estaca zero.

Uns oito eteceteras depois cheguei ao ponto onde havia parado e consegui discar o número todo. O computador então voltou: “please dial the authorization code”, ou seja, eu agora teria de teclar um código de autorização de 14 dígitos antes que a ligação se iniciasse, e isso num telefone com linha crítica como aquela que dava ocupado ou caía a todo o momento. Consegui digitar todos os 14 números sem cair. Tocou e entrou o computador dizendo que a ligação não poderia ser feita para aquele número e que eu verificasse e tentasse de novo. Acho que a quantidade de números que se tem de teclar é tanta que dá uma indigestão no sistema telefônico; por outro lado dizem que os computadores conseguem absorver um montão deles em fração de segundo. Será que não seria melhor pedir auxilio à telefonista? Será que ainda existe alguma por aqui?

Oito e meia; ainda havia tempo, assim verifiquei o número e vi o que estava cansado de saber, que o número para onde eu já havia ligado trocentas vezes estava certo. Computador cretino! E recomecei o ritual: 9 para dar linha e depois 08000… deu ocupado. De novo 9, linha e 0800011411… ocupado outra vez. Consegui mais números dessa vez; quem sabe se discasse mais depressa enganaria o computador e antes que ele maldosamente me enviasse um sinal de ocupado eu já teria conseguido meter todos os números… vou rir na cara dele. Lá vai: 9, linha e 080… ocupado. Droga ! Ele leu meu pensamento e por isso desligou mais rápido dessa vez. Insisti para cansar o computador e deu certo. Muitas tentativas depois consegui chegar ao número e assim comecei 011 55 11 2… ocupado. Mas como ocupado? Nem terminei e vou ter de começar tudo de novo.

Comecei o ritual, repetindo a mesma coisa para chegar ao ponto de digitar o número fatídico. Enquanto isso pensava nos tempos de infância e pré-adolescência quando ia passar férias na fazenda perturbando meus tios e primos.

A fazenda fica em Laranjal Paulista, interior de São Paulo, por onde se chegava depois de uma grande aventura pelas estradas de então. Estamos falando da década de 60 e como eu saía de Santos, litoral Paulista, tinha de inevitavelmente passar por São Paulo. Ao subir a serra meu pai cismava de tomar um famoso atalho por uma tal de Estrada do Vergueiro para encurtar a viagem e, depois disso, sempre nos perdíamos, atrasando a passagem por São Paulo entre uma e duas horas. Finalmente chegando à rodovia Anhanguera em “ótimo humor”, aguardava-nos, horas depois, uma nova armadilha: é que o percurso incluía passar por uma cidade de nome Porto Feliz. Porto Feliz era o segundo porto mais infeliz do percurso – o primeiro era São Paulo – pois aí também nos perdíamos. Até hoje me lembro de todas as voltas pelas ruas e vielas daquela cidade de tanto que passávamos por elas na tentativa infrutífera de continuar viagem. Lembro-me de uma vez ter de abrir porteira daquelas de pasto de bois. Foi quando estavam construindo partes da rodovia e os desvios incluíam passar por lugares facilmente perdíveis aonde se chegava a trilhas sem saída e cercados de criaturas com ar apático e falando mu.

Deixe-me fazer uma pausa para as últimas notícias, pois consegui teclar o número todo. Atenderam e era engano. Devo ter pressionado alguma tecla errada. Demônios do inferno, tenho de começar tudo de novo!

Continuando a grande jornada para a fazenda, depois do labirinto de Porto Feliz, ainda tínhamos pela frente a tortura das crianças: o trecho entre Tietê e Laranjal. É que o projetista dessa estrada devia ter ódio de crianças e assim certificou-se de ela ficaria cheia de curvas mesmo que cortasse apenas pastos e não montanhas. O resultado era fácilmente alcançado já que as crianças sempre ficavam enjoadas e vomitavam… O que implicava em paradas não programadas em outros portos infelizes e mais atraso na viagem. O percurso culminava ao se chegar à entrada do caminho para a Fazenda Estrêla, do meu tio, a poucos minutos após a passagem pela linha do trem (a famosa Sorocabana), e depois de uma curva fechada à esquerda na estrada, curva essa imediatamente na saída da ponte sobre o rio Sorocaba. Essa curva foi feita com o objetivo de proporcionar uma distração aos lambaris lá em baixo já que periódicamente carros, ônibus e caminhões erravam a curva e iam se refrescar nas águas do rio. Note-se que, para facilitar o mergulho, essa ponte ficava no fim de uma descida.
Chegando à entrada da fazenda nos preparávamos para a última emoção, principalmente se estava chovendo ou havia chovido há pouco tempo. O caminho antigo seguia uma trilha pela parte norte da fazenda cujo lamaçal sempre nos atolava e assim chegávamos à fazenda via caminho da mangueira de ordenha das vacas e passando ao lado da casa do Gildo (o grande carpinteiro da fazenda e conhecido como “Girdo”, para quem se lembra), gloriosamente arrastados por um trator.

De volta ao meu trabalho no hotel, finalmente consegui ligar todos os números iniciais e em seguida o código do cartão. Entrou o computador: “não se pode completar a ligação para o número discado; verifique o número e disque novamente”. Comecei outra vez.

Na fazenda daqueles tempos, o telefone era algo misterioso. Em primeiro lugar ele havia sido colocado numa ante-sala onde ficava uma infinidade de gaiolas de passarinhos cujo objetivo era cantarem todos ao mesmo tempo quando algum infeliz tentava ouvir o que se falava no outro lado da linha. (Aviso que os passarinhos ainda estão lá até hoje, e isso em pleno século 21, mas o telefone foi mudado de lugar – afinal algum progresso!).

Voltando ao antro dos penosos, toda aquela balbúrdia, que ja era suficiente por si só para testar a acuidade auditiva dos adultos e acelerar sua deterioração, se aliava aos barulhos e chiados do telefone. Isso sem contar a vingança da Araponga, um pássaro grande, corpo branco com a cara verde (de esforço para gritar – ela não canta; grita! E tem gente que ainda compra o estafêrmo) que solta um grito agudo de rebentar tímpanos nas horas mais inconvenientes. Com o tempo descobri que a algazarra se intensificava quando se falava ao telefone; com certeza era de vingança por estarem presos. Eu sabia que era de propósito porque ao se olhar para eles, eles desviavam o olhar e eu jurava que curvavam ligeiramente o bico num sorriso de Pica Pau do desenho animado quando apronta alguma sacanagem.

O aparelho era desses de pescoço com a parte para o ouvido separada e presa por um fio preto e peludo (o isolamento era de pano) – igual àqueles dos filmes do Gordo e o Magro dos anos 30. Não possuía lugar para discar e sim uma manivela no lado direito de uma caixinha de madeira na base do telefone, que a pessoa girava muitas vezes até conseguir a atenção da telefonista de Laranjal. Esta se ocupava em enfiar pinos ligados a uns fios que saiam de todos os lugares e eram todos vermelhos, em dezenas de buracos situados em um painel à sua frente. Nunca entendi como isso funcionava. Os fios vermelhos, todos iguais e sem etiqueta, eram enfiados nos buracos no painel nas mais diversas direções e sem uma ordem aparente; como se estivesse trançando uma rede. No final ficava um emaranhado de dar inveja a gato solto em um deposito de linhas. Com certeza vem daí a expressão “linha cruzada” pois era exatamente o que se via. E não é que, no final, dava certo?

Quando a telefonista atendia, o processo era mais ou menos o seguinte:

- Aqui é Fazenda Estrêla um oito, quero uma ligação para 42856 em Santos! (Nao estranhe o numero curto, caro leitor, isso de DDD e outros prefixos era coisa totalmente desconhecida na época; estamos falando dos anos 60!).
- Pois não; vou ver se há demora e já lhe informo!

Desliga-se o telefone e depois de uma “breve” pausa que podia facilmente chegar a mais de uma hora, ele toca.

- “Alô?”
- “É a telefonista para avisar que a demora para Santos é de 6 horas!”
- “Obrigado, pode fazer a ligação!”

Seis horas depois mais ou menos 2 (quase sempre mais do que menos) o telefone toca novamente

- “Alô?”
- “Sua ligação para Santos! Diz a telefonista”
- “Obrigada! Responde minha tia Lilita (carinhoso para Lucília)”

Começa então o “diálogo”:

- Zzzzzzzzz(estática)zzzzz alô? Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz Guidinha? Zzzzzzzzzzz ? Pergunta minha tia.
- Zzzzzzzzz alô? Zzzzzzzzzz alô? Pergunta, por sua vez minha mãe (Guidinha vem dos tempos de infância para Margaridinha…).
- Alô? Zzzzzzzzz Guid zzzzzzzzz aqui é a Lili zz zzz zz z zzzzzzzzzzzzzzzzz !
- Alô? Alô? Zzzzzzzzzz quem fala? Zzzzzzzzzzzzzzzz ?
- Alô? Guidinha, aqui é a zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz quem está falando?
- Alô? Zzzzzzzzzzz quem fala?
- Zzzzzzzzzzz Guidinha, é você? Aqui é a Lilita, da zzzzzzzzzzzzz Estrêla!
- Alô? É a zzzzzzzzzzz Lilita? Aqui é a Guidinha zzzzzzzz não estou ouvindo nada! Voce zzzzzzzzzzzzz?
- Zzzzzzzzzzz Guidinha? Zzzzzzzzzz fala mais alto; a ligação está horrível zzzzzzzz; quem está falando?
- Lilita? Zzzzzzzzzzzzzzz fala mais alto! A zzzzzzzzzzzz está horrível zzzzzzzz
- Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz ?
- Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz !
- Zzzzzzzzzzzzzzzzzz ?
- Zzzzzzzzzzz !
- Zz?
- Z!


E assim, depois de uns dez minutos de tentativa de introdução, finalmente conseguia-se saber quem estava nos dois lados da linha e então as duas irmãs começavam a conversa. Gastava-se meia hora no telefone para 10 minutos de mensagem; mas conseguia-se falar. É que, nessa época, as pessoas iam logo ao assunto e não perdiam tempo ouvindo estática pelo telefone. Vamos admitir que elas eram muito práticas.

Enquanto isso, continuo às voltas com a minha ligação. Tento a telefonista do hotel. Existe uma! Não, ela não pode fazer a ligação para mim. E só ligar 9 e digitar o número informa ela, certamente assumindo que eu sou um débil mental ou analfabeto e que não consigo ler essa informação que está impressa no telefone à minha frente.

Volto ao castigo. Tenho que digitar 9 seguido de 11 dígitos para AT&T, mais 7 dígitos para acessar o país e a cidade no Brasil, seguidos dos outros 7 do número local e, logo após solicitação do computador, mais 14 dígitos do meu código do cartão. Tudo isso para atender uma secretária eletrônica e pedir que eu digite o ramal… Como são sinais sonoros e tantos, dá até para se tocar uma musiquinha.

Com sorte, depois de muito tempo, consegue-se completar todo o processo para então ouvir da secretária (agora um ser humano, bem entendido) que a pessoa com quem você precisava falar com urgência, não pode esperar e teve de sair para uma reunião, almoço, visita à cliente ou qualquer outro motivo. Ela então sugere: porque da próxima vez o senhor não tenta ligar mais cedo? Não costumo responder a esse tipo de pergunta porque a filosofia zen sugere que, nos momentos de ímpetos assassinos, ficar calado é melhor…

Mas no momento ainda não consegui completar o ciclo e chegar ao ponto de diálogo conforme escrevi acima; sigo, portanto, insistindo:

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 011551139342… ocupado

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 01155113934…. Ocupado

Disco 9 - linha – 080… ocupado.

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 01155113934242 – AT&T pede para digitar o código – 86502157684136 – mensagem da AT&T – toca o telefone desejado – interrompe com uma mensagem de que os troncos estão congestionados

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 01155113934242 – AT&T pede para digitar o código – 86502157684136 – mensagem da AT&T – toca o telefone desejado – interrompe com uma mensagem de que os troncos estão congestionados

Disco 9 - linha – 080001141… ocupado.

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 011551139342… ocupado.

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 01155113934242 – AT&T pede para digitar o código – 86502157684136 – mensagem da AT&T – toca o telefone desejado – atendem mas é engano; o número é completamente diferente do discado.

Disco 9 - linha – 08…….. ocupado

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 01155113934242 – AT&T pede para digitar o código – 86502157684136 – mensagem da AT&T – ocupado.

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 01155113934242 – AT&T pede para digitar o código – 8650215…….. Ocupado.

Disco 9 - linha – 08000114114 - mensagem da AT&T e pede para digitar o número – 01155113934242 – AT&T pede para digitar o código – 86502157684136 – mensagem da AT&T – o telefone desejado começa a tocar, alguém atende e, imediatamente, desliga – sinal de ocupado. Desgraçado ! Grito indignado.

Nove horas da manhã; tempo esgotado. Saí do quarto com raiva.



Nota: consegui fazer a ligação três dias depois. Perguntaram-me porque nao liguei antes…
Bons tempos os de antigamente em Laranjal Paulista; ao menos as ligações se realizavam no mesmo dia.


Eduardo Ulhoa Cintra - 8 de Marco de 2002

Cartao telefonico e Telefone de Pescoço

Voces ja usaram cartao telefonico - calling card - com o qual, de qualquer pais, voce chama um numero, digita uma senha e depois faz a ligacao sem pagar na hora? Tecnologia! Voces ja usaram ou talvez ja viram telefone de pescoço, daqueles que se fala num bocal acima de uma haste, retira-se a parte por onde se escuta que esta pendurada num gancho na haste e ligada por um fio ao aparelho e coloca-o por cima de um dos ouvidos? Talvez voces so viram em filmes do gordo e o magro nao? Pois eu usei na fazenda dos meus tios no interior de Sao Paulo quando era crianca. E ele nem tinha dial (disco para discar o numero) precisava girar uma manivela e a telefonista da cidade atendia...

Como estarei viajando nos proximos dias vou publicar algo engracado:
Pois vou contar uma historia real que me aconteceu em Marco de 2002 em Costa Rica quando tentei usar o cartao telefonico e minhas memorias com o telefone de pescoço. Acho que voces vao se divertir. Tudo realmente aconteceu como esta descrito.
Abracos
Shrek

Wednesday, May 19, 2010

O AQUECIMENTO GLOBAL É CAUSADO POR HUMANOS?

Atualmente vivemos bombardeados por notícias de terror sobre aquecimento global, resultado da atividade predatória dos humanos. Até que ponto isso é verdadeiro? Em todo lugar encontramos relatórios alarmantes de cientistas e pseudo cientistas de que estamos a beira de uma catástrofe iminente por nossa causa e temos que mudar tudo para evitar o desastre. O clímax, para mim, foi quando políticos tomaram a liderança e começaram a discutir o tema. Quando leigos começam a discutir temas que não entendem, se essas pessoas estão em posição de tomar decisões que vão afetar a vida das pessoas, como os políticos, então podemos estar certos de que muitas medidas erradas vão ser tomadas e muitas que seriam preventivas não o serão.

Vou direto ao ponto: Sim, estamos em pleno processo de aquecimento global! Estamos entre dois períodos glaciais, portanto estamos aquecendo. Os humanos estão poluindo o planeta com dejetos e emissões de todo o tipo que prejudicam a natureza, além da destruição sistemática de ecossistemas. Parte dessa poluição, principalmente vapor de água, N2O (óxido nitroso), gás carbônico e metano, todos tem efeitos estufa e contribuem para aquecimento. Mas, até que ponto?

Por tudo o que já li e avaliei com cuidado, o aquecimento global é um fenômeno cíclico e natural e que ocorre entre as eras glaciais; e a causa disso é planetária. A influência do homem é mínima. Por outro lado acho muito bom assustar as pessoas se o resultado for reduzir a poluição e parar de destruir a natureza. Vamos divulgar que o boi-ta-ta e a mula sem cabeça vão pegar os que poluem e “causam o aquecimento global”. Se um susto resultar em menos poluição vale a pena dizer qualquer coisa. Vale até deixar os políticos dizerem besteira – o que é muito comum. Os fins justificam os meios, já escrevia Machiavel em “O Príncipe”.

Aqui vai o arrazoado científico para vocês pensarem:

Quando estudei engenharia uma das matérias mais complicadas era termodinâmica, e termodinâmica é o que ocorre nas trocas de calor no planeta e é responsável por todas a variáveis que vemos e sentimos no clima, com seus efeitos de El Niño, La Niña, correntes de água quente e fria nos oceanos, furacões, frio, calor, etc., etc.. Ainda hoje, com toda a tecnologia, não conseguimos prever corretamente o tempo nem explicar em detalhes todas as muitas variáveis envolvidas no processo. Essa parte da ciência ainda tem muito que estudar. O que se sabe é que o nosso planeta, como todos os demais, está sempre sofrendo distúrbios de movimento e irregularidades na distribuição de sua matéria.

Alguns exemplos de alterações constantes no planeta e que influenciam no aquecimento e resfriamento globais: movimentação das placas tectônicas; alteração de posicionamento de geleiras; alterações na movimentação do magma e reversões de polaridade magnética, variação de velocidade das correntes oceânicas e variações de emissões de energia solar, incluido periodicidade de manchas e períodos de maior e menor intensidade.

Vou enumerar as três coisas que tem efeito decisivo na alteração radical do clima cuja periodicidade é de milhares de anos:

1) Excentricidade da órbita da Terra ao redor do Sol. Nossa órbita não é circular, mas elíptica e a cada período 100.000 anos (+ -) a excentricidade da elipse muda, e depois volta à forma original.


2) Inclinação axial. O eixo ao redor do qual nosso planeta gira sobre si próprio está inclinado em relação ao plano da elipse. Varia entre 21,5 e 24,5 graus. Essa inclinação acredita-se ter sido o resultado da colisão com um planetóide que deu origem à Lua. A alteração dessa inclinação tem um ciclo de 41.000 anos


3) Precessão dos equinócios ou Giro no eixo da inclinação axial. Período de 23.000 anos.

Essas alterações combinadas alteram a incidência da luz e do calor solar afetando profundamente o clima na Terra. Juntem-se a isso as alterações mais freqüentes mencionadas antes e vocês terão um conjunto muito grande de fatores interagindo.

O período glacial cujo pico ocorreu há 21.500 anos foi apenas o mais recente dos cinco que ocorreram nos últimos 450.000 anos. Os períodos glaciais e inter glaciais têm se alternado há mais de dois milhões de anos na era conhecida como Pleistoceno. A duração e severidade cresceram durante esse período com um pico entre 900.000 e 600.000 anos atrás. No momento estamos no período inter glacial (pequeno) que começou no período Holoceno 11.700 anos atrás.
Os cientistas vêm debatendo as causas desses ciclos mais severos que mais recentemente vêm ocorrendo a intervalos de 100.000 anos. Dentre as 30 ou mais explicações, acredita-se que a Inclinação Axial, a obliqüidade entre os planos equatorial e orbital, é a grande responsável e que a glaciação termina quando a inclinação é grande. Com a mudança de inclinação o Sol passa a incidir mais nas altas latitudes. A inclinação atual é de 23,5 graus e está decrescendo. Por outro lado, como que uma variação de inclinação no eixo de periodicidade de 41.000 anos pode ser responsável por glaciações de 100.000 anos de intervalo? Outras hipóteses sugerem mudança na órbita da Terra; outras, que as glaciações são o resultado de variações aleatórias no clima.

Enfim não vou me alongar mais, pois o que existe a respeito pode encher livros e o meu post vai ficar muito grande...

Conclusões:

1) Sabe-se muito pouco sobre cada aspecto do meio ambiente, desde o passado remoto até o momento presente; como conservá-lo e protegê-lo.
2) Os seres vivos são os maiores responsaveis por alterações na atmosfera terrestre; já ocorreu no passado várias vezes e continua ocorrendo. Embora essas alterações sejam muito pequenas ja houve duas bastante significativas. A primeira com a liberação desse gas venenoso na atmosfera (o oxigênio) que causou extinção em massa logo depois da origem da vida, e mais tarde no período Carbonífero com liberação de excesso de oxigênio. A consequência da poluição feita pelo homem e seus efeitos na atmosfera (vejam meu post sobre fotossíntese) podem afetar um pouco ou muito pouco o fenômeno de aquecimento, porém não é a responsável pelo aquecimento em si. Ele iria ocorrer de qualquer maneira, mesmo se hoje o homem ainda estivesse na idade da pedra.
3) O CO2 da atmosfera está subindo e os humanos podem ser a causa.
4) Em 1850 entramos em um ciclo de aquecimento natural ao sairmos do período de frio de 400 anos chamado de “pequena era do gelo”.
5) Ninguém sabe quanto do presente aquecimento deve-se a causas naturais ou devidas ao homem, nem quanto de aquecimento vai ocorrer no próximo século.
6) A preocupação quase histérica atual pode ser mais bem canalizada em outras áreas.
7) Nos últimos 30 anos a ciência passou por uma grande revolução, com um novo entendimento das teorias de dinâmicas não lineares, sistemas complexos, teorias do caos e de catástrofes.
8) É preciso o surgimento de um novo movimento ambiental mais pragmático baseado em fatos reais.
9) Finalmente a ciência politizada é perigosa, como, por exemplo, os danos no inicio do século XX com a tal “Eugenia”; a idéia de que a mistura de genes de diversos grupos étnicos poderiam deteriorar a raça humana. A ideologia política controlando o mundo da ciência só pode produzir resultados desastrosos.