Thursday, February 3, 2011

VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA

Recebi a historia abaixo como tendo sido um fato real acontecido en 2003 em Curitiba. De qualquer maneira ela ilustra que cada um de nós sempre pode fazer a diferença, basta sermos mais atentos às pessoas que nos cercam e estarmos dispostos a fazer aquele algo mais. Fazer algo mais sempre tem o seu preço: pode nos fazer “perder tempo”, deixarmos de fazer “algo importante”, nos atrapalhar, tirar-nos de nossa rotina, e todo o tipo de desculpa que pudermos imaginar. O resultado porém é sempre surpreendente e recompensador. Depois de lerem respondam a pergunta: quem foi o maior beneficiário; o taxista ou a velhinha?

A ÚLTIMA VIAGEM DE TÁXI.

Houve um tempo em que eu ganhava a vida como motorista de táxi. Os passageiros embarcavam totalmente anônimos e, às vezes, me contavam episódios de suas vidas, suas alegrias e suas tristezas. Encontrei pessoas que me surpreenderam mas, NENHUMA como aquela da noite de 25 para 26 de julho do último ano em que trabalhei na praça.

Havia recebido já tarde da noite uma chamada vinda de um pequeno prédio de tijolinhos, em uma rua tranqüila, próximo do Largo da Ordem no São Francisco, centro histórico de Curitiba, capital do Paraná. Quando cheguei ouvia cachorros latindo longe. O prédio estava escuro, com exceção de uma única lâmpada acesa numa janela do térreo. Nestas circunstâncias, outros teriam buzinado duas ou três vezes, esperariam só um pouco e, então, iriam embora mas, eu sabia que muitas pessoas dependiam de táxis como único meio de transporte a tal hora; a não ser, portanto, que a situação fosse claramente perigosa, eu sempre esperava.

"Este passageiro pode ser alguém que necessita de ajuda", pensei, assim, fui até a porta e bati.
-"Um minutinho", respondeu uma voz fraca e idosa.

Ouvi alguma coisa ser arrastada pelo chão... Depois de uma pausa longa, a porta abriu-se. Vi-me então diante de uma senhora bem idosa, pequenina e de frágil aparência. Usava um vestido estampado e um chapéu bizarro daqueles usados pelas senhoras idosas nos filmes da década de 40! E se equilibrava numa bengala, enquanto segurava com dificuldade uma pequena mala. Dava para ver que a mobília estava toda coberta com lençóis. Não haviam relógios, roupas ou adornos sobre os móveis. Num canto jazia uma caixa aberta com fotografias e vidros. A velha senhora, esboçando então um tímido sorriso de quem havia já perdido todos os dentes, pediu-me:

- “O senhor poderia me ajudar com a mala?”
Eu peguei a mala e ajudei-a caminhar lentamente até o carro. E enquanto se acomodava ela ficou me agradecendo.

-"Não é nada, apenas procuro tratar meus passageiros do jeito que gostaria que tratassem minha velha mãe”.
-" Oh!, você é um bom rapaz!"

Quando embarcamos, deu-me um endereço e pediu:
-"O senhor poderia ir pelo centro da cidade?"
-" Este não é o trajeto mais curto", alertei-a prontamente.
-" Eu não me importo. Não estou com pressa. Meu destino é o último, o asilo dos velhos".

Surpreso, eu olhei pelo retrovisor. Os olhos da velhinha brilhavam marejados.
-" Eu não tenho mais família e o médico me disse que tenho muito pouco tempo".

Disfarçadamente desliguei o taxímetro e perguntei:
-"Qual o caminho que a senhora deseja que eu tome?"

Nas horas seguintes nós dirigimos por toda a cidade. Ela mostrou-me o edifício na Barão do Cerro Azul em que havia, em certa ocasião, trabalhado como ascensorista. Nós passamos pelas cercanias do Centro Cívico, em que ela e o esposo tinham vivido como recém-casados e também pela Pérpetuo Soccoro no Alto da Glória, onde iam sempre e onde também comemoraram Bodas de Ouro. Ela pediu-me que passasse em frente a uma loja na Dr. Muricy com a José Loureiro, que ela dizia ser um clube alemão, que tinha um grande salão de dança que ela freqüentara quando mocinha. De vez em quando, pedia-me para dirigir vagarosamente em frente a um edifício ou esquina. Era quando ficava então com os olhos fixos na escuridão, sem dizer nada. E olhava, olhava e suspirava... E assim rodamos a noite inteirinha.

Passamos por parques, praças, restaurantes, tudo o que vinha vindo na imaginação da doce senhorinha. Quando o primeiro raio de sol surgiu no horizonte, ela disse de repente:
-"Estou cansada e pronta. Vamos agora!"

Seguimos, então, em silêncio, para o endereço que ela havia me dado. Chegamos a uma casa comum no bairro do Parolin, uma pequena casa de repouso. Duas atendentes caminharam até o taxi, assim que paramos. Eram amáveis e atentas e logo se acercaram da velha senhora, a quem pareciam esperar. Eu abri o porta-malas do carro e levei a pequena valise até a porta. A senhora, já sentada em uma cadeira de rodas, perguntou-me então pelo custo da corrida.

-" Quanto lhe devo?", ela perguntou, pegando a bolsa.
-"Nada!", eu disse.
-" Você tem que ganhar a vida, meu jovem”
-" Há outros passageiros", respondi. Mas ela insistiu, disse que não precisava mais de dinheiro, e colou 2.000 reais no meu bolso da camisa. Eu não quis aceitar, mas ela foi incisiva ao extremo, e e quase sem pensar, curvei-me e dei-lhe um abraço. Ela me envolveu comovidamente e devolveu-me com um beijo afetuoso e repleto da mais pura e genuína gratidão e disse:

-"Você deu a mim, bons momentos de alegria, como não tinha há tanto tempo. Visitamos não só lugares, mas momentos que eu vivi. Só Deus é quem sabe o quanto você fez por mim. Obrigada, MEU AMIGO! Mil vezes obrigada.”
Apertei sua mão pela última vez e caminhei até o carro, na Brigadeiro Franco, onde ficava o asilo, e dirigi olhando o centro da cidade amanhecendo ao fundo e não conseguia parar de chorar, e pensar como vivemos e ao que damos valor, se daqui não levamos nada. Atrás de mim, uma moça fechava o portão, e eu avistava ela e outros velhinhos repousando em cadeiras. Era como o som do término de uma vida... Naquele dia não peguei mais passageiros. Fiquei sem rumo, parei na Av. Pres. Kennedy, perdido nos meus pensamentos. Mal podia falar.

Dois dias depois, tomei coragem e voltei no asilo para ver como estava a minha mais nova amiga e quem sabe passear com ela de novo. Me disseram, então, que na noite anterior, seu coração parou durante a noite, e ela adormecera para sempre, em paz e feliz. Fiquei a pensar, se a velhinha tivesse pego um motorista mal-educado e raivoso... Ou, então, algum que estivesse ansioso para terminar seu turno. Óh, Deus! E se eu houvesse recusado a corrida? Ou tivesse buzinado uma vez e ido embora? Ao relembrar, creio que eu jamais tenha feito algo mais importante na minha vida até então.

Em geral nos condicionamos a pensar que nossas vidas são os objetivos e o futuro, mas ela gira em grandes momentos. Todavia, os GRANDES MOMENTOS freqüentemente nos pegam desprevenidos e ficam guardados em recantos que quase todo mundo considera sem importância, quando nos damos conta, já passou.

AS PESSOAS PODEM NÃO LEMBRAR EXATAMENTE O QUE VOCÊ FEZ, OU O QUE VOCÊ DISSE MAS, ELAS SEMPRE LEMBRARÃO COMO VOCÊ AS FEZ SENTIR, PORTANTO, VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA.

Resposta à pergunta: o maior beneficiário foi o taxista. Embora a velhinha tenha se alegrado muito em rever os lugares que frequentava quando mais jovem, o taxista foi afetado profundamente de uma forma que nunca se esquecerá e isso com certeza influenciou sua vida daí em diante, tornando-se uma pessoa ainda melhor do que era. Além disso, a sua historia pode tambem influenciar positivamente muitas outras pessoas.

8 comments:

Lucia said...

Essa estoria me fez chorar, pai. Eu ando muito sensivel com essas coisas ultimamente, muito mesmo e ate aquele desenho UP me fez chorar umas 4 vezes durante ele. E chorar mesmo, nao foi so lagriminhas escorrendo.

Nao sei pq envelhecer e pensar nas coisas boas que temos e apreciar e mostrar que voce ama as pessoas na sua vida, tem me emocionado demais. Tenho medo demais de perder aqueles que amo, e posso ate dizer que eh a unica coisa que me amedronta nessa vida.

Fico pensando no tempo que esta passando, nas coisas que quero realizar, nas pessoas maravilhosas que tenho ao meu redor. Sou muito feliz de estar onde estou, apesar de estar querendo mais e realizar outros sonhos, mas aprecio o que eu tenho.

E tento prestar atencao nessas pequenas coisas, nos sentimentos das pessoas e como somente um mero sorriso pode fazer toda diferenca pra alguem.

Depois converso melhor sobre isso contigo, pois so de escrever esse comentario, ja estou com um no na garganta e nao posso abrir o berreiro aqui no trabalho, haha.

bjos

Lúcia Soares said...

Eduardo, claro que o texto é para refletir e chorar!
Primeiro chorei, depois vou refletir...
Lembrei-me da minha mãe, que tem 85anos e já não gosta de sair de casa. Mas como deveria lhe fazer bem se algum dos seus tantos filhos fizer um tour pelos lugares que ela amou! Nem sei se serão muitos ou se ainda existirão, já que minha cidade, como tantas, mudou muito ao longo dos anos.
Certamente quem lucrou foi o taxista. Abençoado seja!
Beijo!

Mary said...

Esse taxista fez a diferenca si mesmo!

Beth/Lilás said...

Amigo Eduardo!
Por esta razão é que eu e minha irmã resolvemos festejar os 78 anos de vida de minha mãe este ano, afinal ela nunca havia tido uma grande festa de aniversário na vida e tudo porque seu aniversário é bem no dia seguinte do natal, dia 26 de dezembro. Mas, este ano fizemos diferente, festejamos quase 15 dias depois e foi lindo, pois pessoas amigas dela e nossas desde a infância até os dias atuais, compareceram e festejaram com ela.
Ela dançou tanto que machucou novamente o pé que já é colado e sempre descola. kkkkkk
Neste caso da estorinha triste, quem lucrou mesmo foi o taxista que continuou vivo e pode a cada dia repensar sobre a velhice e se tornar uma pessoa melhor.
um grande abraço carioca

Fernando Valente said...

Eu quase chorei. É foda mesmo, cê sabe que as coisas tão no final e que acabou ali. Olha, recentemente mudei pra São Paulo. Minha reação em relação ao Rio foi um tanto parecida. Fui em vários lugares que não ia a anos, só para relembrar as coisas. E olha que minha vida no Rio não foi das melhores.

Beth/Lilás said...

Amigo Eduardo!
Obrigada pelas felicitações lá no meu blog, e entendo perfeitamente seu sumiço, afinal quando não estás por aí estás pelas bandas do Oriente, né mesmo?
E olha, não são 50 e sim 58, mas com corpinho e alma de 57. hehe

bjs cariocas

Luma Rosa said...

Pode ser que a história não tenha acontecido, conjecturas! Mas quem a escreveu quis demonstrar que ser gentil nunca é demais! "Gentileza gera gentileza" e o mundo está precisando tanto de gentileza!!
Obrigada por partilhar essa comovente história com nós! Certamente, que quem por aqui passar e ler essa história, se colocará no lugar do outro quando este precisar! Feliz Páscoa!! Beijus,

José Luiz said...

Gostaria muito de saber se esta história é verídica mesmo. Se alguém souber de detalhes, deixe um recado.